Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 10/04/2020
Ao longo da existência humana, as sociedades vivenciaram diversas epidemias de mesma ou até maior periculosidade que a enfrentada nos dias atuais, tais como a peste negra, na Idade Média, a dengue e o coronavírus, mais recentemente. Apesar disso, nunca houve tamanha disseminação de informações e mobilização populacional até hoje, fatores esses que estão relacionados ao elevado desenvolvimento tecnológico e à globalização. Dessa forma, o combate a epidemias contemporâneas tem como maior desafio os problemas relacionados à histeria coletiva, a qual tem como causas principais: influência midiática e falta de esclarecimento da população.
Segundo o sociólogo Antônio Cândido, vive-se uma contradição humana, tendo em vista a interação entre a máxima racionalidade técnica e a máxima barbárie. Analogamente a essa afirmação, o que se verifica, atualmente, é a manipulação de dados e informações dentro do meio virtual, proporcionada pelo elevado desenvolvimento técnico. Os dados manipulados, fruto da barbárie humana, ao serem disseminados com extrema rapidez tendem a causar histeria na população que, sem buscar a fonte de divulgação ou mais informações sobre o assunto, tornam-se meios de propagação destas. Ao se tratar de doenças, essa histeria é potencializada. O medo de adoecer favorece ações impulsivas e egoístas da população de, por exemplo, estocar alimentos, de modo a gerar problemas de abastecimento para os indivíduos, exemplificado por casos ocorridos na China continental, divulgados pelo jornal “O globo”.
Outrossim, de acordo com o jornal supracitado, apenas 8% da população sabe, de fato, ler e escrever. Dessa forma, a ignorância dos cidadãos é evidenciada, visto que a capacidade de analisar informações é impressindível para difusão de notícias verossímeis. Essa falta de esclarecimento é característica marcante dos “sonsos essenciais” ao sistema, como disse a escritora brasileira, Clarisse Lispector, os quais constituem a maior parte da população e são os grades responsáveis pela histeria coletiva gerada pela propagação de informações errôneas, relativas, às epidemias contemporâneas. Tais epidemias, as quais afetam a sáude pública, são hiperbolizadas em fake news que não são filtradas pelos “sonsos”, afetando, também, setores da economia.
Nota-se, portanto, a histeria coletiva como potencializadora das epidemias atuais. Sendo assim,é essencial a redução dessa histeria a partir do alinhamento entre educação, saúde e mídia. Para tal, o Ministério da Educação deve atuar, aliado ao Ministério da Saúde, em escolas, promovendo aulas temáticas que visem informar quanto à saúde pública e à identificação de fake news. Além disso,o papel da mídia é essencial na disseminação de informações, bem como as fontes destas, combatendo à desinformação, através de canais de comunicação entre os consumidores e a Acessoria de imprensa.