Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 09/04/2020
De acordo com Jean-Noel Fabiani, médico e escritor, a Peste foi durante muitos séculos o nome dado às epidemias. Essas doenças, até os dias atuais, já dizimaram milhões de vidas em todo o mundo. Tal realidade é acompanhada de medo, do descontrole e de uma histeria social que agrava não somente a saúde, mas outros campos da vida em sociedade.
Concomitantemente, a impotência dos homens diante das calamidades impostas pelas epidemias foi, em determinados tempos, sobretudo na Idade Média, associada à expressão bíblica ‘‘a ira de Deus sobre os pecadores’’. No entanto, sabe-se que as condições das épocas de outrora não eram as mais propícias para o combate de doenças, não haviam recursos científicos, humanos e a medicina ainda era embrionária no útero da Igreja Católica. Nos dias que correm, ainda há dificuldades quanto à aplicação de ações diante de epidemias. Não se pode esquecer que grandes avanços foram conquistados e que doenças como a poliomielite, no Brasil, por exemplo, foram erradicadas. Ainda assim, também vale lembrar que a falta do pleno funcionamento da saúde pode afetar outras áreas que compõem o convívio em sociedade.
De acordo com Émile Durkheim, a partir do mal funcionamento de uma esfera coletiva, pode haver o comprometimento de outras tão essenciais quanto. Nesse sentido, o medo e a histeria instauradas evidenciam o que esse autor chama de anomia social. Essa anomia pode mostrar-se na irresponsável falta de atenção com experiências anteriores, como o Ebola em 2016; na falta de incentivo e recursos em pesquisas; nos impactos financeiros que causam demissões; no encarecimento do preço e falta de produtos e no despreparo de Governos em auxiliar aqueles que mais precisam, os mais pobres da teia socioeconômica.
Portanto, evidencia-se um alastro das epidemias acompanhadas de um temor social. Faz-se necessário a ação do Ministério da Saúde que deve promover, por meio da co-participação com instituições de ensino, hospitais, casas de repouso e afins, o aumento no número de programas preventivos, propagandas e capacitação de profissionais da saúde. É importante, também, a criação de um fundo de investimentos, públicos e privados, que possam garantir a pesquisa, o monitoramento contínuo de doenças e seu poder de propagação, o desenvolvimento de vacinas e tratamentos para a aplicação de ações que possam combater de forma mais eficaz e direcionada a mazela em questão. Dessa forma, pode haver uma desaceleração da disseminação de doenças e a manutenção de uma sociedade menos amedrontada.