Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 04/04/2020
A revolta da Vacina, presenciada em 1904, evidencia um cenário que, ainda hoje, perdura na sociedade brasileira: a falta de acesso à informação fidedigna leva às pessoas ao pânico desnecessário. Nesse sentido, evidencia-se a negligência governamental como pilar desse entrave no corpo social. Portanto, é notório que essa narrativa se deve não só a lacunas educacionais, mas também a propagação de ‘‘Fake news’’ por meio das redes sociais, óbices que são vertentes da omissão do Estado. Visto isso, é de suma importância que essa discussão se torne pauta de resolução de maneira imediata.
Em primeiro lugar, cabe ressalvar como as lacunas educacionais têm grande destaque nessa problemática. Ao traçar um paralelo com os estudos do célebre pensador Immanuel Kant, percebe-se que o homem é fruto de sua construção moral, ou seja, o acesso à educação molda seus parâmetros sociais. Sob tal ótica, ao se omitir frente aos déficits que a educação brasileira apresenta, o Estado contribui para que os desafios relacionados à histeria coletiva, infelizmente, perdurem na sociedade brasileira, pois, a população fica a mercê de todo e qualquer tipo de informação errônea propagada, sem ter meios de expressar uma análise crítica da situação.
Somado a isso, outro prisma desse entrave se deve a propagação de notícias falsas e tendenciosas, conhecidas como ‘‘Fake News’’. De maneira análoga ao escritor português José Saramago, em sua obra Ensaio sobre a Cegueira, pode-se compreender que a sociedade está cega da razão, pois, não a usa para defender a vida, mas sim para destruí-la. E isso se torna evidente ao se analisar a dinâmica das falsas notícias disseminadas sem qualquer intervenção nas redes sociais e seus impactos profundamente negativos na sociedade brasileira e no compromisso com a verdade.
Diante disso, urge que medidas sejam impostas a fim de mitigar essa problemática. Para que isso ocorra, é necessário que o Estado, enquanto detentor da ordem civil, em parceria com o MEC (Ministério da Educação), insira nas instituições de ensino campanhas de conscientização sobre as novas epidemias. Essas campanhas, devem envolver palestras com profissionais de saúde, teatros para atender ao público infanto-juvenil e debates que visem entender a dinâmica sanitária que permeia a sociedade, além de ser aberta ao público externo. Ademais, a Delegacia de Crimes Virtuais deve investigar e punir com mais afinco usuários que propaguem notícias tendenciosas e pertubem a ordem pública. Somente assim, será possível quebrar o padrão vivenciado pela sociedade brasileira desde o século XX.