Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 05/04/2020
Apesar dos avanços tecnológicos acelerados do século XX e XXI, a cada ano ficamos sabendo da incidência de epidemias de novas – ou até mesmo de antigas – doenças em diferentes partes do território nacional. Tais acontecimentos geralmente trazem consigo um duplo desafio, pois além de ter que lidar com o agente infeccioso, é importante que o poder público também se atente para a histeria coletiva disparada por tal situação.
Albert Camus apresenta, em sua obra “A Peste”, a história de uma cidade assolada pela peste bubônica, transmitida por ratos. A cidade, sitiada assim que o número de casos começou a aumentar, é palco para o pânico de parte da população que, durante algum tempo, não consegue se organizar para dar uma resposta racional para o problema. Até há pouco, tal obra soaria fantasiosa por parte de um leitor brasileiro, pois não era comum, entre nós, cidades inteiras serem colocadas em quarentena. No entanto, isso mudo recentemente, com a pandemia de COVID-19, que vem provocando medidas de isolamento ao redor do mundo, e recentemente no Brasil.
Tendo isso em vista, era previsível que o pânico tomaria parte da população, haja vista o acontecido em outros países anteriormente afetados. Entretanto, os Poderes demoraram a agir, e vimos por aqui a corrida desenfreada por produtos alimentícios, higiênicos e até medicamentosos, que podem faltar para quem sofre de doenças crônicas às quais são destinados. Essa movimentação desordenada preocupa a população, que se sente desamparada, provocando no indivíduos a sensação de não terem com quem contar caso seja acometidos pelo vírus. Essa impressão é, ainda, mola propulsora para mais corridas a supermercados e farmácias, num processo de retroalimentação.
Para evitar tal fenômeno, é essencial que o poder público sempre aja com presteza, em situações de epidemias, para impedir que os excessos despertados pela histeria coletiva não prejudiquem a situação política, econômica e sanitária do país. Nesse sentido, o Governo Federal pode confiscar medicamentos específicos para determinadas doença epidêmicas, fazendo com que sua circulação se dê exclusivamente por meio do Sistema Único de Saúde, evitando, assim, a especulação e o uso inadequado, que poderia causar seu desaparecimento das farmácias. Dessa forma, a população poderia ficar mais tranquila, sabendo que medicamentos e equipamentos de segurança estariam sobre o controle do estado e que não lhe faltariam, caso seu uso se tornasse necessário. Por fim, seria necessário também que a segurança alimentar fosse garantida, e para isso as prefeituras poderiam impor aos supermercados uma restrição para que cada indivíduo não pudesse, de uma só vez, comprar quantidade que configurasse acúmulo de determinado alimento, em situações de pandemias.