Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 31/07/2020

A histeria coletiva só evolui ao longo do tempo. Esta frase proferida pelo filósofo Luiz Felipe Pondé expõe o atual panorama em que vive a sociedade mundial. As epidemias contemporâneas estão atingindo na atualidade um novo patamar, o patamar do pânico generalizado. Tal pânico afeta todos os aspectos da vida civilizada e responsável, sendo de suma importância discutir suas instâncias históricas, teóricas e práticas.

A palavra histeria significa comportamento caracterizado por um excessivo pânico/terror. Do ponto de vista histórico, essa palavra sempre esteve presente no nosso cotidiano. Na epidemia de AIDS da década de 1980, por exemplo, a histeria coletiva se alastrou por diversas nações, sendo que o terror das pessoas se transformou em uma verdadeira bomba-relógio para a estabilidade e ordem social. Hodiernamente, o pânico, em parte por culpa da ascensão das mídias sociais, é insensato, infantil e irresponsável. Cenas de prateleiras inteiras vazias já não são coisa de “Hollywood”, faz parte do mundo real, e quanto mais pessoas entram em choque com essa realidade, mais supermercados e farmácias veem seus estoques se exaurindo, deixando quem mais precisa (grupos de risco, profissionais da área médica etc.) sem.

Além disso, um dos principais motivos para o terror generalizado é o sensacionalismo. As chamadas credenciais supostamente científicas e os modelos que mudam como o vento são fórmulas perfeitas para o aumento de audiência, consequentemente é puramente comercial e tendencioso. Notícias chamativas, números a todo momento, quantidade de pessoas recuperadas (desculpa, esse último nunca foi visto), tudo isso faz parte de uma intensa estratégia de marketing sensacionalista para ganhar atenção. Como foi exposto pelo escritor George Orwell, a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa.

Enfim, deve-se destacar a necessidade de se educar a população à fim de se evitar os potenciais nocivos dos vícios do pânico. O poder executivo, juntamente com as suas pastas ministeriais, deve formular políticas públicas que incentivem, em parceria com as escolas e com a mídia, a formação consciente do cidadão por meio de campanhas educativas, livros didáticos, palestras e panfletos de responsabilização social e consumo consciente de notícias. Desse modo, evitaremos uma das maiores mazelas em tempos pandêmicos, a histeria coletiva.