Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 09/04/2020
Epidemia global
Decameron, obra literária de Boccaccio, retrata a fuga contra a peste na Itália e os efeitos da histeria na sociedade. De tempos em tempos, surgem novas epidemias ao redor do mundo, apesar dos avanços contemporâneos, não há um plano mundial de contenção de novos vírus e bactérias capaz de conter a universalização de doenças. Nesse panorama, é preciso buscar soluções para a rápida transmissão das enfermidades, como também é necessário resolver os empecilhos causados pela histeria coletiva, os quais atrapalham a devida superação da problemática no mundo global.
Em primeira análise, o mundo globalizado flexibilizou os meios de transporte, permitindo uma extensa difusão de pessoas e produtos entre os países. Nesse sentido, é criado o ambiente perfeito para disseminação de doenças contagiosas, haja vista a rápida velocidade de propagação e os inúmeros fluxos de indivíduos e mercadorias entre as nações. Sob essa lógica, o exemplo mais recente é a atual difusão de Coronavírus entre os continentes, sendo caracterizado como Pandemia, é notório que a globalização foi um dos fatores que possibilitou essa classificação, uma vez que os picos da virose se iniciaram na China e hoje em dia é possivel ver casos em todos os extremos povoados do planeta.
Ademais, vale ainda ressaltar que surtos epidemiológicos são marcados por grande medo e incerteza. Nesse cenário, a histeria coletiva faz-se presente ao se observar o exponencial aumento de casos e mortes causados pela doença. Steve Jobs, dizia que a tecnologia move o mundo, analisando essa frase sob a ótica das grandes epidemias, é possível afirmar que quando se une o grande temor às novas tecnologias, há uma verdadeira movimentação global. Isso porque as informações são compartilhadas e postadas diariamente, grandes mídias lucram com essa movimentação e conforme as postagens que espalham o terror são propagadas, há um ciclo de retroalimentação que propricia a histeria coletiva.
Torna-se evidente, portanto, que a globalização permitiu uma rápida disseminação de pessoas e informações e, principalmente, de doenças. Para mitigar os efeitos desse problema, é preciso que a Organização Mundial da Saúde (OMS) faça, em parceria com os governos de todos os países, a criação de um plano efetivo para barrar a infecção global. Através da instalação de detectores de temperatura nos aeroportos internacionais e uma lista obrigatória de sintomas para os passageiros, para que possíveis doenças contagiosas possam ser detectadas e sua propagação reduzida. Além disso, é preciso restringir a histeria coletiva, pela criação de leis que visem punir grandes emissoras que produzam matérias negativas para lucrar. Espera-se, assim, que cenários como o de Decameron e da atual Covid-19 sirvam como ensinamento para a população se proteger de futuras epidemias.