Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 12/04/2020

A história humana já foi marcada por graves epidemias como a peste bubônica, que causou a morte de considerável parte da população europeia na Idade Média e foi o terror daquela época. Atualmente, a covid-19, doença causada por um novo coronavírus, é a mais recente responsável por gerar pânico nas pessoas. Nesse contexto, cabe analisar desafios relacionados à histeria coletiva, como a falta de conhecimento da população e as implicações sociais advindas desse quadro, o que demanda posturas assertivas do Estado, a fim de conter as consequências da epidemia.

A princípio, é preciso frisar como a falta de informação favorece a proliferação de “fake news” e estimula a histeria das pessoas. Nesse sentido, o insuficiente conhecimento dos indivíduos acerca de bactérias, vírus e doenças, leva-os a acreditar em tudo que veem. Consequentemente, essas falsas informações deixam as pessoas descontroladas e instala um sentimento de pânico na comunidade, fazendo com que muitas delas ajam incorretamente e prejudiquem a contenção da epidemia. Com efeito, o filósofo Michel Foucault, no livro “Microfísica do poder”, aponta que o conhecimento é um instrumento de poder na sociedade. Logo, se as pessoas tiverem conhecimento necessário, não compactuarão com notícias falsas e terão poder para agir com coerência, sem ceder ao desequilíbrio.

Somado a isso, o desespero geral traz implicações nocivas à coletividade. Sob essa ótica, é importante citar o comportamento de muitas pessoas em situações como essa, as quais vão ao supermercado e compram tudo o que podem para estocar em casa. A esse respeito, relaciona-se a ética deontológica do filósofo Kant, que determina que as ações dos indivíduos devem ser pautadas por uma moral universal, que sirva de lei para todos. Diante disso, constata-se que esse comportamento rompe com a ética kantiana, pois se trata de uma ação egoísta que não pensa no coletivo. Depreende-se, então, que o pânico perturba a ordem social e instaura o caos na sociedade.

Fica claro, portanto, que existem desafios relacionados à histeria coletiva e como ela agrava o contexto de epidemia de um país. Por conta disso, o Ministério da Saúde deve criar uma campanha on-line que forneça informação de qualidade às pessoas. Isso pode ser feito por meio de minicursos ministrados por médicos especialistas, mas possuindo edição dinâmica, com gráficos e imagens para prender a atenção, nos quais sejam explicitados os sintomas e medidas a serem adotadas por todos, com vistas a orientar o comportamento dos indivíduos e combater as “fake news”. Ademais, os estabelecimentos comerciais deve delimitar um número limite de itens por pessoa nos supermercados, mediante anúncio pregado nas lojas, a fim de impedir atitudes egoístas. Assim, a pandemia atual será enfrentada com discernimento e ficará no passado como a peste negra na Idade Média.