Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 17/04/2020

Pandemia do medo

Doenças assolam a humanidade desde o princípio de sua existência. Antigamente a situação era exponencialmente mais crítica devido ao escasso conhecimento das ciências médicas e auxílio tecnológico e à falta de acessibilidade à serviços básicos de saúde por grande parte da população. No entanto, mesmo pós os longos anos de desenvolvimento, o ser humano ainda enfrenta grandes desafios, inclusive em relação à gestão emocional.

No início do século XX, a peste negra aterrorizou a Europa deixando cicatrizes visíveis em sua história. Esse ano, vivenciamos uma situação semelhante com um nível muito menor de letalidade, mas equiparada em relação ao pânico instaurado. “Coronavírus” foi um termo amplamente discutido por todo o mundo. A epidemia que se iniciou na cidade de Wuhan, na China, logo tomou proporções globais em razão da agilidade de propagação do vírus.

Muitos se preocuparam com a COVID-19, mas esqueceram-se de gerir a emoção para conter um verdadeiro surto de histeria. Cotidianamente, temos acesso a centenas de informações dadas pela mídia convencional, comunicação pessoal com familiares e amigos, dentre outros, sendo que muitas delas não possuem verificação profissional e científica, o que origina as famosas “Fake News”.

Dizer que o excesso de informação gera a ignorância é um paradoxo atual. Quanto mais dados falsos são propagados, maior à fomentação ao descontrole de uma nação. Vimos pessoas agirem pela emoção e roubarem a acessibilidade daqueles que mais precisaram, ao passo que lavar as mãos tornou-se o ritual mais sagrado.

Percebemos a indiferença para com o próximo e constatamos a frieza cultivada. Vivenciamos em nossa própria pele a necessidade da colaboração mútua e o abandono de pensamentos individualistas. Reforçando, desse modo, a constatação de Nelson Mandela, de que se o ser humano pode ser ensinado a odiar, pode ser educado para amar e tornar-se empático.

Portanto, os maiores desafios estão concentrados na má comunicação entre os especialistas e população, somado às relações liquidas que mantemos segundo o sociólogo Balman. É necessário que haja um melhor planejamento para eventuais complicações como esta, além do acesso a informações confiáveis e instruções claras pronunciadas pelo Ministério da Saúde, nesse caso em específico, e também o investimento em politicas sociais pelo Ministério da Cultura, a fim de promover o respeito pelo próximo.