Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 22/04/2020

Uma epidemia ocorre quando o número de surtos cresce, abrangendo várias regiões de determinada cidade ou país. Já uma pandemia é classificada em um nível de maior gravidade e consiste em uma epidemia que se estende a nível global. A ciência possui protocolos ao formular vacinas e remédios para garantir a segurança a vida. Esse protocolo demanda tempo para ser desenvolvido e muitas vezes a população sofre com as consequências imediatas da doença. E assim a maioria das pessoas em meio ao desespero, recorrem a soluções não científicas, colocando em risco suas vidas.

No podcast ¨Café da Manhã, do dia catorze de abril desse ano, recebeu como convidada a pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e presidente do Instituto Questão de Ciência, Natália Pasternak, que aborda as condições da ciência no combate a cenários epidêmicos. Ela declara que os protocolos clínicos são instrumentos auxiliadores na uniformização dos tipos de tratamento para determinados diagnósticos, e quando bem usado a outras estratégias, apresenta ganhos quantitativos e qualitativos na eficácia dos tratamentos, envolvendo fases de teste, revisão, execução da pesquisa, análise de resultados, extração e conclusão dos estudos. Mesmo sendo um processo demorado, a Ciência mostra disposta a acelerar os estudos e pesquisas, evitando de todas as formas, a tomada equivocada de soluções e o alargamento do risco de erros.

Entretanto, com a falta de uma solução imediata, os habitantes das regiões infectadas acabam sendo, instintivamente, movidos pelo sentimento de medo – ou seja, o começo da histeria coletiva. Prontamente, o racional sofre rejeição e há a busca pelo apelo emocional. E é assim, através das ¨Fakes News¨ que pessoas passam a confiar em informações sem embasamento, pois são, muita das vezes, mais confortantes em comparação aos fatos. Um exemplo atual, é aposta do uso da Cloroquina para o tratamento da Covid-19, que mesmo após muitos cientistas e médicos sustentarem que não há pesquisas conclusivas sobre a eficácia do medicamento, chegou a atingir uma grande demanda da droga, para seu auto uso incorreto – sem o consentimento dos possíveis efeitos colaterais que, posteriormente, pode gerar.

Contudo, enquanto a ciência possui o seu papel na sociedade, as autoridades governamentais, além dos investimentos a centros de pesquisa, devem apoiar o veredito dos cientistas e auxiliar na divulgação técnica. Enquanto isso, a população precisa se dispor a buscar notícias de fontes confiáveis e exercer o senso crítico.