Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 05/05/2020
No livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Sramago, o mundo é assolado por uma epidemia que é descrita como uma “cegueira branca”. Nada se conhece sobre esse patógeno, sua forma de contágio e muito menos sobre um possível tratamento e quiçá uma cura. Diante disso, as pessoas entram em histeria e quem é contaminado logo é isolado da sociedade. Em paralelo com a realidade, o cenário descrito é muito real quando comparamos com a mais recente pandemia que o mundo tem enfrentado: o coronavírus. Muita mesquinharia e pouca solidariedade são reações comuns nessas situações e isso, alinhado à falta de informação junto com a desigualdade da social só agrava ainda mais o problema.
Pandemias são comuns do mundo desde muito tempo atrás. Na Idade Média, a peste bubônica dizimou cerca de um terço da população da Europa. Na época não tínhamos o conhecimento científico que temos hoje, e a doença era ligada, assim como tudo na época, ao imaginário cristão como um castigo divino ou como “coisa do diabo”. O não conhecimento das causas da doença fez com que ela se alastrasse pelo mundo. Algo semelhante ocorre hoje com o coronavírus. É fato que temos muito mais conhecimento que na idade média e sabemos as causas da doença, porém é um vírus novo e não se sabe muito sobre ele. E além disso, hoje, com a internet, muita notícia falsa é espalhada, disseminando informações erradas sobre a doença e minimizando o verdadeiro impacto da doença. Desse modo, as pessoas relaxam em relação a ela e o contágio só aumenta.
No Brasil, além de tudo isso, tem-se outro agravante: a desigualdade. Uma das principais medidas contra o contágio é o isolamento social e a quarentena. Porém, nem todo mundo pode ficar em casa e se isolar, pois dependem do trabalho para suprir as necessidades básicas. Além disso, nas favelas e zonas mais pobres existe uma concentração muito grande de pessoas, o que facilita muito para que o vírus se espalhe mais facilmente e além de tudo essas pessoas não tem acesso à uma saúde de qualidade.
Portanto, é preciso medidas para conter os riscos que a doença trás. Portanto, o Ministério da Saúde deve criar campanhas informativas sobre o vírus a serem espalhadas nos maiores veículos de comunicação do país, a fim de combater as notícias falsas conscientizar e informar as pessoas sobre os riscos reais da doença. Além disso, decretar quarentena no país inteiro, liberar verba para quem precisa e criar medidas mais rígidas para combater o espalhamento do vírus. Desse modo, as pessoas ficam informadas sobre os reais riscos e podem cumprirem as medidas adotadas para o combate.