Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 23/04/2020

A crise do feudalismo foi marcada pela disseminação de uma doença responsável pela morte de um terço da população europeia da época, a Peste Bubônica. Nesse cenário, os estudos médico-científicos precários e a histeria coletiva colaboraram com a crença em inúmeras práticas que, supostamente, evitariam a contração da enfermidade, bem como, o individualismo quanto a racionalização de recursos foi fator indubitável para agravar a situação vivida pela sociedade feudal. Analogamente, no Brasil atual, a situação é semelhante à apresentada no contexto medieval, na qual a população, motivada pelo desespero, mostra-se individualista e, em muitos casos, recorre à métodos ineficazes de tratamento, fatores que corroboram desafios epidêmicos contemporâneos.

A priori, diante de situações angustiantes, como epidemias, é comum que o pensamento individual esteja à frente do coletivo, consequência do sentimento instintivo gerado pelo medo. Nesse contexto, a série The Society, exibe um grupo de adolescentes que precisam reconstruir uma sociedade do zero ao serem deixados, por motivos misteriosos, sozinhos em uma cidade isolada. Entretanto, os jovens da ficção lidam com a disparidade entre, pensar prioritariamente em seus respectivos bem-estares, gera com que o coletivo sofre com a gradativa escassez de alimentos e água potável. Dessa forma, a realidade brasileira é semelhante à vivida em The Society ao ponto que, em momentos de desespero, como quadros epidêmicos, várias pessoas movidas pelo individualismo buscam estocar recursos, por exemplo, prejudicando a população brasileira comum.

Além disso, a histeria generalizada em momentos difíceis, em que a ciência não possui total conhecimento acerca da doença que permeia a sociedade, faz com que inverdades como modos de curar enfermidades, sejam disseminadas entre a população. Nesse contexto, cabe citar a reportagem realizada pela BBC que alertou sobre os perigos das falsas curas compartilhadas na internet, como a crença que vinagre de cozinha seria a solução para o corona vírus. Dessa forma, esse tipo de mentira não é apenas ineficaz, é perigosa, já que pessoas acreditam que podem estar curadas das enfermidades, deixando de seguir as recomendações de saúde pública, o que coloca a população brasileira em risco.

Por fim, diante dos argumentos apresentados, o Ministério da Saúde deve propor a criação de comerciais que visem a difusão de medidas eficazes. Assim, por meio de um projeto de lei, será determinado, a cada meia hora, que sejam televisionadas técnicas de meditação, o modo de lavar corretamente as mãos e a necessidade do pensamento coletivo, por exemplo. Espera-se, com essas medidas, a diminuição da individualidade e disseminação de inverdades que contribuam com a histeria.