Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 25/04/2020

A Peste Bubônica, que assolou a Eurásia no século XIV, foi a pandemia mais devastadora registada na história humana, tendo resultado na morte de 75 a 200 milhões de pessoas em um período de quatro anos. Além de ter reduzido a população mundial em um quarto do que era antes, a praga criou uma série de convulsões religiosas, sociais e econômicas, com efeitos profundos no curso da história. Na era contemporânea, a humanidade continua a travar forte embate com novas epidemias e com o ressurgimento das já então conhecidas, como Ebola, Malária e Cólera por exemplo. Porém, os desafios vão além do combate à doença, pois a histeria coletiva desencadeia diversos problemas sociais como a disseminação de notícias falsas e o abalo nas estruturas econômicas dos países afetados.

Segundo o filósofo grego Sócrates “A única verdade é a realidade”, porém no atual mundo globalizado, por causa da facilidade de comunicação e a viabilidade imediata na disseminação de informações, a verdade se torna obsoleta em virtude da comercialização de notícias e do descompromisso com a vericidade. Um reflexo desse cenário são as “Fake News”, que consistem em informações repassadas em grande velocidade através de veículos populares de comunicação, sem embasamento ou comprovação prévios, mas que são suficientes para alimentar a superficialidade e a falta de interesse pelo conhecimento da população. Dessa forma, quando se trata de epidemias e ameaças à estabilidade social, as informações devem sempre ser questionadas e trespassadas pelo senso crítico.

Outra consequência da histeria coletiva é a desordem que a mesma causa no sistema econômico mundial, pois ocasiona a tomada de decisões precipitadas por parte de grandes empresas, como demissões em massa; e também provoca a queda exorbitante dos investimentos acionários por todo o contexto mundial, por causa do medo advindo da instabilidade financeira. Como ocorrido na Grande Depressão de 1929, esses abalos econômicos podem, na pior das hipóteses, levar pessoas ao desemprego, à pobreza e até mesmo ao suicídio, que nessa época chegaram a níveis exorbitantes nos Estados Unidos da América.

Portanto, mediante os fatos mencionados, medidas são necessárias para solucionar o impasse. É mister que os veículos midiáticos televisivos abertos propiciem a disseminação de propagandas instrutivas em horário nobre, apresentadas por especialistas na área da saúde e da economia a fim de informar de maneira concisa sobre os desafios enfrentados em tempos de crises pandêmicas e também sobre as medidas profiláticas a serem buscadas pela comunidade, para que dessa forma haja considerável diminuição na disseminação de ideias e notícias falsas, que por sua vez podem acarretar problemas maiores na economia e nos relacionamentos sociais.