Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 27/04/2020

Varíola(1563-1980). Gripe Espanhola(1918-1919). Gripe Suína(2009-2010). Essas são três das grandes epidemias que assolaram o Brasil ao longo de sua história. Apesar de muito distintas para as ciências biológicas, todas elas historicamente possuem algo em comum: a histeria coletiva. Nesse contexto, é necessário avaliar os fatores que levam a população brasileira contemporânea a reagir de maneira exagerada a cada surto, dentre os quais se destacam a influência midiática e irresponsabilidade populacional.

Em primeiro plano, cabe destacar o papel coercivo da mídia na perpetuação da problemática. De acordo com o antropólogo Darcy Ribeiro,as instituições tradicionais estão perdendo todo o seu poder de controle e de doutrina e o que opera é um monstruoso sistema de comunicação de massa. Essa afirmação vai ao encontro do fato da população ser constantemente alarmada, por esse sistema, que em situações de crise, produz diversas reportagens que trazem, em sua grande maioria, apenas notícias ruins. Assim como afirmado pelo psicanalista Sigmund Freud, a pessoa histérica é vítima das condições opressivas. Dessa maneira,acontecem as reações exacerbadas em larga escala.

Ademais, deve-se analisar as atitudes imponderadas do povo frente às epidemias. Segundo Friedrich Nietzsche, filósofo alemão, não há fatos, apenas interpretações. Nesse sentido, a sociedade da informação sofre com o legado das “fake news” que surge da ausência de uma cultura de criticidade e provoca o alto compartilhamento de notícias falsas criadas para assustar as pessoas. Isso pode ser comprovado pelas diversas divulgações feitas nas redes sociais de supostas curas e tratamentos para doenças, sem qualquer comprovação científica. Dessa forma,é importante salientar a importância do desenvolvimento de critérios no momento da absorção de informações.

Torna-se, pois, evidente a necessidade de medidas eficazes nas esferas midiática e social. Para tanto, é crucial que o Estado, por meio do Ministério da Educação, promova palestras e Workshops para profissionais e estudantes de jornalismo, que trabalhem a importância de notícias positivas, visando acalmar a população frente situações de dificuldade. Além disso, é imperioso que a nova mídia, por intermédio das escolas, visto que essas são imprescindíveis na formação crítica de jovens, devem criar oficinas educativas, com o fito de esclarecer as diferenças entre as “fake news” e o jornalismo legítimo. Assim, o ciclo de histeria coletiva poderá ser quebrado.