Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 25/04/2020
Na obra pré-modernista, ‘Triste fim de Poliquarpo Quaresma’, do escritor Lima Barreto, o major Quaresma, grande admirador do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, fora da literatura, é perceptível que tal horizonte literário não mimetiza a realidade atual, visto que o Brasil ainda enfrenta sérios problemas, dentre eles a questão das epidemias contemporâneas e os desafios relacionados á histeria na população brasileira. Esse âmbito de iniquidade é fruto tando da fragilidade dos sistemas de saúde pública quanto da falta de informação sobre tais epidemias nas conjunturas sociais.
Deve-se analisar, primeiramente, que á deficiência nos centros de saúde é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse sentido, ao observar criticamente os núcleos de combates epidemiológicos, verifica-se que a falta de materiais, medicamentos e equipamentos hospitalares, promovem uma exígua fraqueza no combate a essas epidemias, vulnerabilizando os pacientes e até mesmo os profissionais da linha de frente. Exemplo disso, é a escassez de materiais hospitalares e equipamentos respiratórios nos hospitais de tratamentos a Covid-19 no Brasil. Dessa maneira, não há como negar que a falta de investimentos nos setores de saúde pública deturba tal máxima.
É vital evidenciar, ainda, que o aumento das epidemias é, por vezes, uma consequência da falta de informação sobre as formas de contágios. Acerca dessa assertiva, é notório que á ausência de conhecimento nas esferas populacionais, favorece á famigerada histeria na sociedade atual, uma vez que se constata o panico mimetizado nas comunidades brasileiras. Dessa forma, tal quadro remonta á Revolta da vacina, no Rio de Janeiro, em 1904, ao qual pela ausência de informação dos indivíduos sobre a vacinação, gerou graves conflitos. Contudo, sabe-se que combater tal panorama torna-se uma necessidade e não um fato opcional.
Portanto, pela perspectiva Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada, dando sentido ao movimento. Desse modo, compete o Poder Público, como instancia máxima da administração executiva, junto a Secretaria especial do Ministério da saúde, com uma parcela dos impostos cobrados a população nacional, aderir um maior investimento nos centros públicos de saúde, com o intuito de equipar tais setores ao combate dessas epidemias, para que de tal forma, a sociedade possa ser orientada, corretamente, sobre as formas de contágios e como se prevenir a essas epidemias no âmbito brasileiro. Somente, assim , os ideais do major Quaresma, poderão ser evidenciados na nação brasileira.