Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 26/04/2020
Na série “Pandemia” produzida pela plataforma digital “Netflix”, retrata ao longo dos seus seis episódios, o trabalho de médicos ao redor do mundo diante de uma praga. Um dos episódios, retrata a visão de uma médica -a única de cidade pequena- nos Estados Unidos, fazendo o que pode para controlar o crescimento do contágio de influenza local. Tal perspectiva pode ser relacionada com as epidemias contemporâneas e seus desafios relacionadas a histeria coletiva. Assim, como forma de atenuar essa problema no Brasil, é essencial analisar seus principais fatores motivadores, dentre os quais podem ser citados a falha do âmbito escolar e a negligência governamental.
Em primeiro plano, cabe notar o papel do ensino na formação de indivíduos engajados. Paulo Freire, marcante sociólogo brasileiro, afirma que é papel das instituições a formação de cidadãos críticos e autônomos. Esse pensamento explicita e importância da incorporação do debate no currículo didático, visando a mobilização social, visto que a formação de indivíduos sem esclarecimentos refletem em opiniões ignorantes e não saber se prevenir diante de uma pandemia. Dessa forma, constata-se que a falha no ambiente escolar, compromete a construção de um futuro adulto consciente.
Em segundo plano, é essencial analisar a displicência estatal como agravadora dos casos de pessoas que não conseguem se prevenir corretamente. Sob esse viés, Montesquieu, filósofo iluminista, em sua obra “O espírito das leis” constrói um conceito de Estado em que o governo deveria ser um mero executor das vontades da população. No contexto contemporâneo, em tese, seu modelo foi adotado, porém na prática o ideal montesquiano não tem reverberado, visto a precariedade de informação da sociedade, e a falta de material higiênico para grande parte da sociedade. Dessa forma, é notória que tais precariedades são um empecilho, posto que permeia a passividade popular no que tange ao bem-
estar coletivo.
Torna-se evidente, portanto que a falha no ambiente escolar e a negligência estatal são grandes barreiras para a sociedade moderna. A fim de criar discussões e construir futuros adultos mais conscientes e preocupados, o Poder Público por meio do Ministério da Educação deverá criar aulas de debate sobre como agir em casos de epidemia. Isso será feito a partir da reestruturação do currículo escolar com a inserção dessa matéria, tanto em escolas públicas quanto em particulares, a partir do sexto ano do Ensino Fundamental II. Ademas, o Governo Federal por intermédio do Ministério da Saúde deverá desenvolver kits de higienização para pessoas com menores condições de vida, com a finalidade de diminuir o contágio . Dessa forma, seria possível idealizar uma sociedade em que não ocorram mais epidemias ou que elas diminuem.