Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 26/04/2020
No aclamado livro “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, é narrada a história da epidemia de cegueira branca, causando um grande colapso e medo no cotidiano dos indivíduos. Fora da ficção, tal cenário impactante é muito similar com o hodierno, em que as organizações mundiais encontram-se obrigadas a tomar medidas de prevenção drásticas para mitigar a contaminação. Na base desse problema de saúde, encontra-se a banalização das doenças e a desigualdade social, favorecendo a continuidade da pandemia.
Cabe pontuar, de início, que grande parcela da população subestima o potencial de mortalidade dos microrganismos. Os cidadãos desacreditados da periculosidade das epidemias colocam a sociedade em alto risco de morte ao não aderirem as medidas preventivas aconselhadas pelos profissionais e pelas organizações de saúde. Nesse contexto, evidencia-se o desequilíbrio do “Corpo biológico”, comparação entre a estrutura social e o corpo humano, realizada pelo sociólogo Émile Durkheim, pois uma pessoa com atitudes inconsequentes pode prejudicar a saúde da coletividade. Consequentemente, os indivíduos que negligenciam a prevenção e o isolamento aumentam os casos de contaminação, assim como a histeria coletiva.
Pelo mesmo ponto de vista, a desigualdade social referente à falta de acesso à saúde e ao saneamento básico pela população mais pobre, torna esse grupo mais suscetível a adquirir a doença. As pessoas de classe menos abastadas, imersas em um contexto de extremo desemprego e marginalização, muitas vezes não possuem condições financeiras para seguir as medidas de prevenção em uma pandemia. Esse cenário, mostra um exemplo latente de “violência simbólica”, conceituada pelo filósofo Pierre Bourdieu, em que a violência é associada a desumanização de quem a sofre, pois essas vítimas da desigualdade se encontram totalmente excluídas pela coletividade. Desse modo, essa população incapacitada favorece para a continuidade da contaminação, piorando a histeria e a desorganização do sistema de hospitais.
Portanto, é possível constatar a urgência na mudança desse cenário de saúde e da sociedade. Dessa forma, a OMS deve criar campanhas publicitárias contra as pandemias, por meio das redes sociais, como o instagram e o twitter, pois são ótimos instrumentos de disseminação de informações, com o intuito de instruir e estimular a mudança no comportamento individualista dos cidadãos que não seguem as medidas preventivas. Ademais, as ONGs devem disponibilizar serviços de prevenção e profilaxia a população carente, como o atendimento médico e sessões de terapia, por meio da organização de profissionais voluntários, a fim de mitigar a desigualdade e a contaminação das pessoas mais pobres.