Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 26/04/2020

O Guia de Vigilância Epidemiológica, elaborado pelo Ministério da Saúde, apresenta epidemia como: aumento no número de casos de uma doença ou agravo, em um determinado lugar e período de tempo, caracterizando, um excesso em relação à frequência esperada. Paralelamente a isso, na atualidade, o seu enfrentamento leva, consequentemente, ao temor social causado pela falta de infraestrutura na saúde pública e pela propagação de informações distorcidas.

Cabe avaliar, primeiramente, a carência estrutural do sistema público de saúde no atendimento de casos confirmados ou de suspeita da doença. Essa condição provém, segundo a OMS, em 2014, do déficit orçamentário do Governo Federal, já que são destinados apenas 6,8% dos investimentos à saúde, enquanto a média global gira em torno de 11,7%. Nesse sentido, a sociedade civil tende a desacreditar e temer a eficácia do Sistema Único de Saúde (SUS), levando a sua estigmatização social e ao aumento na procura pela iniciativa privada como garantia, transformando o cenário ainda mais instável.

Além disso, a circulação de “fake news” apresenta-se como problema contemporâneo que leva à inquietação social. Ademais, a Fundação Oswaldo Cruz apontou que aplicativos de mensagens apresentaram maior índice de disseminação de notícias falsas (40%) durante período de calamidade na saúde. Dessa forma, os sentimentos de pânico e insegurança emanam em meio aos indivíduos que se tornam alvos vulneráveis a ação desses conteúdos, já que não conseguem distinguir as notícias verdadeiras das falsas e acabam as replicando indiscriminadamente.

Portanto, é notório que a questão das epidemias contemporâneas e seus desafios para com a histeria coletiva demandam soluções. Para tanto, o Ministério da Saúde, em conjunto a Câmara dos Deputados Federais, deve criar uma lei que invoque a responsabilidade de bancos privados em converter 6% de seus lucros em verbas à saúde, visto que esses detém o capital para financiamento das aplicações, por meio da aprovação popular e em Senado Federal da lei, para que o Brasil possa igualar-se ou ultrapassar a média internacional de aplicação nessa área. Espera-se com essa medida amenizar o temor generalizado.