Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 27/04/2020
Enquanto a histeria coletiva pode ser inofensiva - como no ocorrido na Tanzânia, 1962, onde uma crise de risos contagiou milhares de pessoas e durou cerca de seis meses, ela pode também criar uma sensação de pânico que nada contribui à situação. No caso das epidemias, a histeria pode ocorrer devido a uma insegurança quanto ao sistema de saúde ou mesmo pela atual cultura de não se verificar a procedência das notícias que se lê. Sendo assim, é necessário abordar os agravantes dessa psiconeurose frente ao surto de doenças.
Primeiramente, é preciso compreender porque a falta de confiança no sistema de saúde é algo tão comum à população. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS), criado em 1988, embora seja de suma importância para todo o país, se mostra necessitado de maiores investimentos quando de encontro com crises (de saúde, sociais ou econômicas). Portanto, ainda que a Constituição Federal preveja no Artigo 200 a atuação plena do SUS diante de epidemias, a intranquilidade do povo prevalece.
Além disso, um agravador da histeria coletiva que costumeiramente acompanha o surgimento de epidemias no país é a divulgação das chamadas “fake news”, mas isso não é de hoje. Tal como na pandemia eurasiática da Peste Negra, ocorrida durante a Idade Média, onde judeus foram perseguidos ao serem culpados pela origem da doença, as notícias falsas sobre assuntos de saúde pública ainda são de grande circulação. Logo, o espalhamento de informações falsas é crucial para criar um estado de alarme maior que o necessário, levando a uma histeria irracional.
Dessa forma, entende-se que a histeria coletiva é um problema sério, uma vez que também acomete a saúde da população. Nesse sentido, o Ministério da Saúde, como setor governamental responsável pela saúde pública do país, deve criar um fundo monetário, sendo este usado apenas em situações emergenciais. Isso poderia ser feito por meio de maiores investimentos mensais no Sistema Único de Saúde, que seriam destinados a essa poupança emergencial, para que este não sofra tanto as consequências das crises nacionais e, dessa forma, seja assegurada a saúde pública independente da época. Ademais, é necessário que as próprias mídias sociais - como redes sociais, jornais, TV- promovam campanhas contrárias a disseminação de notícias falsas, alertando seus usuários a importância de se checar a veracidade de uma notícia antes de repassa-la. Isso pode ser feito por meio de aplicativos verificadores de notícias, com alertas de notícias falsas e suas devidas correções. Assim, será possível superar a histeria, deixando para o coletivo apenas as risadas compartilhadas.