Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 30/04/2020
“Quando o corpo se enche de dor e angustia, então é que se vê o animal que somos”. Na citação do livro “Ensaio sobre a cegueira”, José Saramago, evidencia sua perspectiva a respeito do individualismo humano. Nesse cenário, o autor critica a superação de valores básicos da sociedade frente a luta pela sobrevivência e problemas sociais. Apesar de ficcional, é notório que o livro expele uma relação análoga a realidade, uma vez que os desafios relacionados a histeria coletiva nas epidemias hodiernas caracterizam a atual conjuntura brasileira. Essa realidade é fomentada pelo sensacionalismo midiático e pela inobservância governamental. Sendo assim, atenuar tal problemática é medida que se impõe.
Em primeira análise, é mister ressaltar a apresentação tendenciosa de noticias como propulsora do impasse. À luz do exposto, a atual pandemia de COVID-19 expõe uma forte recessão político-econômica mundial que propicia a um aumento de doenças psíquicas, como a ansiedade, devido a incerteza sobre o futuro e o medo pelo risco de contaminação. Além disso, a abordagem emotiva midiática com o fito de sugestionar um novo comportamento popular refletiu pressões psicológicas que corroboram o acréscimo do histerismo no isolamento social, de modo a potencializar um óbice relacionada ao combate desta doença. Em suma, torna-se evidente a urgência de equilíbrio das facetas deste cenário, de modo a garantir a homeostase social.
Em segunda análise, é imprescindível salientar que o abjeto apoio psicológico aos cidadãos propicia a um aumento de formas errôneas de lidar com o estresse. De acordo com Sigmund Freud, a histeria, ao mesmo tempo em que era um sofrimento e uma passividade, era uma forma de fugir da realidade. Sob esse viés, os surtos de doenças atuais geram novas situações problemáticas, visto que episódios que levam o individuo ao seu limite corroboram o acréscimo do consumo de substancias psicoativas, além de fomentar condutas relacionadas ao vício. Nesse ínterim, destaca-se elucidação de hábitos pelo governo em conjunto com a mobilização social como essenciais, dado que contribui para o decréscimo desta problemática relacionadas ao confinamento durante as epidemias.
Torna-se necessária, portanto,a implementação de medidas que visem minimizar este impasse, que é estimulado pelo inadvertência governamental e pela postura midiática. Dessarte, urge que a Mídia, como difusora de informação, promova a elucidação de campanhas que aclarem a saúde mental, por intermédio de noticias que abordem temas alternativos, com o intuito de atenuar o “bombardeio desnecessário” . Ademais, é dever do Governo, o financiamento de projetos que visem o apoio psíquico aos indivíduos, atraves de consultas online, com o fito de mitigar os índices de vícios e psicopatologias. Assim, sera possível a erradicação do empecilho exposto pelo romance contemporâneo.