Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 06/05/2020

No episódio “Quarentena” da série The Good Doctor, relata-se o contágio de dois paciente por uma doença infecciosa após uma viagem, que causou a morte dos mesmos. Percebendo a gravidade da enfermidade e possível disseminação do vírus, medidas de  isolamento são colocadas em prática no hospital, o que causou caos e medo nos pacientes. Fora da ficção, é fato que o ocorrido na série pode ser relacionado ao cenário global vivido em 2020, visto a infecção e morte de milhares de pessoas pelo novo coronavírus, o que gera histeria coletiva na população frente à epidemias. Nesse sentido, a problemática acontece não só pela negligência estatal, como também pela falta de empatia da população.

Em primeiro plano, deve-se destacar a negligência estatal como impulsionador do medo da sociedade. A Declaração Universal Dos Direitos Humanos promulgada pela ONU, garante a todos os indivíduos o direito a saúde e ao bem-estar social. Contudo, a realidade é oposta, e o resultado desse contraste se reflete nas péssimas condições dos hospitais públicos para o atendimentos de quadros causado pelo Covid-19. O déficit de investimentos na saúde pública do Brasil acarreta impasses, como a falta de insumos básicos -equipamento de proteção para profissionais- e até mesmo leitos com respiradores para quadros mais graves da doença, o que causa um grande sentimento de impotência na população. Dessa forma, fica nítido a efetivação dos direitos do individuo para que a sociedade tenha seu bem-estar garantido diante à epidemias.

Outrossim, é imprescindível expor, a falta de empatia de uma parcela da população diante da problemática. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman em seu livro Modernidade Líquida,  vivemos em tempos onde acontece a substituição da ideia de coletividade e de solidariedade, pelo individualismo. De maneira análoga, pode-se relacionar à atual conjuntura do país. É notório observar o desrespeito da população com as medidas de segurança na quarentena, que continuam vivendo da mesma maneira sem a devida higiene e precauções contra o vírus. Em decorrência disso, a exposição muitas vezes desnecessária, acarreta o crescimento do número de pessoas infectadas, contribuindo para o agravamento da histeria coletiva.

É evidente portanto, a reversão da histeria coletiva frente à epidemias na sociedade. Urge, que o Ministério da Saúde, crie, por meio de verbas governamentais, unidades de saúde temporárias, devidamente ocupadas com equipamentos para o tratamento do coronavírus, com intuito de atender a população em seus direitos básicos. Outrossim, devem também, criar medidas de proteção mais efetivas, como o uso obrigatório de máscaras e multas para quem sair de casa sem necessidade. Só assim, a população terá seus direitos assegurados e não viveram o caos retratado em The Good Doctor.