Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 04/05/2020
A Revolta da vacina, no contexto da República Velha, teve como estopim a vacinação compulsória da população- desacompanhada de medidas socioeducativas- para a varíola, uma doença epidêmica da época. No que tange à atualidade, é nítido que, no Brasil hodierno, o enfrentamento às epidemias encontra um grave entrave: a histeria coletiva. Nesse panorama, cabe analisar como a desinformação e a ascensão das “fake news” contribuem para a edificação da problemática.
Em primeiro plano, é relevante destacar que a incipiência de medidas que visem esclarecer à população acerca das novas epidemias- as doenças psicológicas- contribui para a consolidação da histeria coletiva. Isso ocorre porque, de acordo com o filósofo Jeremy Bentham, é da natureza humana a busca pelo prazer e fuga da dor. Sob esse prisma, a pouca informação acerca de doenças como depressão e síndrome de ansiedade faz com que indivíduos, com medo de possivelmente enfrentar tais enfermidades, se autodiagnostiquem e utilizem medicamentos sem orientação médica. Nesse panorama, uma parcela populacional torna-se refém de remédios desnecessários e que prejudicam sua saúde devido ao medo causado pela ineficácia de medidas socioeducativas para a elucidação acerca dos distúrbios psicossomáticos.
Ademais, é válido destacar que a ascensão das notícias falsas no que tange à vacinação é outro fator que corrobora a histeria coletiva e propulsiona a ocorrência de epidemias no Brasil contemporâneo. Sob esse prisma, parte da sociedade- amedrontada com as falácias de que vacinas causam doenças como autismo e câncer- deixa de aderir a tal pacto de saúde coletiva, expondo o país a tais enfermidades. De acordo com o Ministério da Saúde, o Sarampo, doença considerada erradicada nas Américas em 2016, teve um foco epidêmico no Estado de São Paulo em 2019 devido à diminuição da adesão às vacinas. Dessa forma, o medo generalizado causado por mentiras colabora para um lastimável cenário, no qual mortes facilmente evitadas ocorrem. Logo, é necessário que as instituições de ensino superior atuem na adversidade.
Nota-se, portanto que a histeria coletiva gerada pelas epidemias contemporâneas é uma realidade alarmante na sociedade brasileira hodierna que precisa ser mitigada. Para isso, é necessário que as universidades- responsáveis pelo desenvolvimento do saber científico no país- desenvolvam rodas de conversa em espaços como praças públicas e redes sociais, que abordem a questão das doenças psicossomáticas e também a desmistificação das vacinas, com o objetivo de desenvolver indivíduos cônscios da problemática. Dessa forma, tal panorama caótico distanciar-se-á do Brasil contemporâneo.