Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 26/05/2020
No filme Epidemia, produzido por Wolfgang Petersen, evidencia-se os problemas acarretados pela disseminação de uma doença. Apesar de se tratar de uma obra cinematográfica, os entraves trazidos por uma pandemia, como a histeria coletiva, não se restringe ao âmbito ficcional. Diante disso, deve-se analisar como a influência midiática e o individualismo da sociedade configuram-se como pilares da problemática.
Em primeira análise, cabe ressaltar a manipulação dos veículos de comunicação como precursor do problema. De acordo com Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para ser um instrumento de democracia, não deve ser convertido em uma ferramenta de controle. Sob esse viés,ao deixar de exercer seu papel informacional, a mídia acaba adotando uma conduta sensacionalista, que altera o conteúdo da matéria. Nesse contexto, em meio a uma epidemia, a sociedade ao se deparar com notícias modificadas, por estarem amedrontadas com toda situação, se desesperam. Consequentemente, essa euforia generalizada gera prejuízos, como por exemplo, o estoque de alimentos feito por uma parcela da população, que acaba por deixar uma outra sem esse recurso. Logo, uma mudança na forma de transmissão das informações é essencial.
Outrossim, é imprescindível destacar a preocupação dos indivíduos somente com o bem pessoal. Desde o Iluminismo, uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. Contudo, ao se observar o fechamento de diversas empresas sem o mínimo auxílio aos seus funcionários, percebe-se o cumprimento da teoria somente no papel e não na prática. Desse modo, enquanto a histeria de alguns tem como reflexo o cancelamento por um período de tempo de seus negócios, para outros tem como consequência a fome. Assim, deve-se haver uma intervenção para esse tipo de postura social.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas que visem minimizar a forma irrelevante como a euforia coletiva em casos de epidemia é tratada, fomentada por fatores midiáticos e sociais. Dessa forma, cabe aos veículos de comunicação, em parceria com canais abertos de televisão, estabelecer alterações na maneira de transmitir notícias, por meio da divulgação de dados científicos, confirmados pela OMS, como uma justificativa para as afirmações apresentadas na matéria, a fim de evitar interpretações equivocadas da sociedade. Além disso, cabe ao Ministério de Educação promover, por meio de palestras, em cada unidade federativa, a exposição das consequências do individualismo na sociedade, para que assim haja uma maior conscientização das ações. Com isso, o Brasil estará distante da realidade apresentada no filme Epidemia.