Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 03/05/2020

No filme “Contágio” um vírus letal se espalha em ritmo acelerado no mundo, porém o pânico toma a população mais rápido que a doença. Essa situação não se restringe a ficção, visto que epidemias contemporâneas, como o covid-19, causam histeria coletiva. Diante disso, são desafios relacionados a essa situação a postura do governo e da sociedade, sendo necessário analisá-los.

Em primeira análise, observa-se que o Estado é ineficiente em oferecer assistência na área da saúde à toda população, podendo causar desespero em parte dela. Conforme o sociólogo Émile Durkheim, problemas globais derivam-se de desiquilíbrios em instituições sociais. Sob esse viés, apesar do governo realizar campanhas de vacinação contra o sarampo, por exemplo, essas se restringem a determinadas épocas do ano e não informam a população de forma adequada, uma vez que noções equivocadas circulam entre as pessoas, contribuindo para baixa adesão as medidas públicas de bem-estar. Além disso, a falta de leitos e material nos hospitais inviabiliza o atendimento apropriado a todos e em situações de epidemia isso se agrava, provocando medo na comunidade. Desse modo, tal instituição precisa ter ações eficazes para tranquilizar o povo em situações de pandemia.

Ademais, outro aspecto a ser considerado é a veiculação de mensagens erradas sobre as enfermidades, o que gera pavor naqueles sem senso crítico. De acordo com o pensador Marshall McLuhan, as novas tecnologias encurtam distâncias, disseminando notícias mais rápido, resultando em comportamentos massificados. Isso pode ser observado na divulgação de informações por meio de redes sociais em que as pessoas formam opiniões e as compartilham utilizando apenas o título das matérias, sem realmente lê-las, além disso, elas não conferem a fonte ou averiguam o conteúdo, gerando um conhecimento equivocado. Por consequência muitos ignoram recomendações médicas, podendo aumentar os riscos de contaminação e as consequências da patologia. Dessa forma, a ignorância fomenta o temor e dificulta o fim dos surtos de moléstias.

Evidencia-se, portanto, que a conduta do governo e da sociedade são impasses referentes ao horror grupal sobre epidemias. Por isso, cabe ao Mistério da Saúde, por intermédio de parcerias público-privadas, recrudescer o serviço de saúde, aumentando o número de hospitais e profissionais, como médicos e enfermeiros, com o fito de oferecer tratamento adequado a todos, diminuindo a proliferação de enfermidades. Outrossim, é dever dessa instituição, por meio de campanhas, principalmente em redes sociais, divulgar informações corretas acerca das doenças para população e esclarecer equívocos, com a finalidade de evitar que falsas notícias sejam difundidas. Assim, situações como a do filme “Contágio” podem ser minimizadas.