Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 04/05/2020

Na Obra “A história do mundo contada pelos vírus”, do escritor Stefan Cunha Ujvari, narra como esses microrganismos têm sido protagonistas centrais e narradores do nosso processo histórico. Por meio do DNA deles, se pode saber quando e como as epidemias atuais se iniciaram e de que forma elas condicionaram a existência humana, dizimando populações, estimulando conflitos, promovendo êxodos e enfraquecendo povos. Hodiernamente, com a atual pandemia do coronavírus, um novo capítulo deve ser escrito nessa obra, uma vez que o mundo vivencia uma fase que antes era relatada apenas em livros de história. Sendo assim, as epidemias contemporâneas são um desafio no Brasil não só devido a histeria coletiva causada mídia brasileira, mas também pela negligência governamental .

Nesse cenário, a divulgação de “fakenews” aliada a valorização de notícias depreciativas - como mortes, novos casos, superlotação de hospitais, devido ao coronavírus, -  valoriza-se o outro inimigo: o pavor. Nesse sentido, de acordo com o filósofo dinamarquês Sword Kithgür,  o medo serve de alerta, porém o pavor paralisa o ser, que deixa de tomar atitudes sensatas. Dessa forma, a mídia brasileira é uma relevante ferramenta social, uma vez que a formação da sensação de pavor do indivíduo é diretamente proporcional a quantidade de informação mórbidas recebidas por eles e, desse modo, as notícias veiculadas nas mídias têm um papel significativo na formação, ou não, do sentimento de medo.

Ademais, a ausência de legislação específica sobre epidemias, deixa o brasileiro à deriva, uma vez que cada Estado e Município legislam de acordo com o seu entendimento. Nesse sentido, a Constituição Federal garante a todos o acesso à saúde, além do direito de ir e vir. Porém, com as Unidades Federativas e os Municípios lançando decretos, a sociedade torna-se enfraquecida, uma vez que muitos direitos assegurados pela Carta Magna são vilipendiados, como o de mobilidade - várias regiões brasileiras decretaram o fechamento de suas fronteiras -, além de um ineficaz sistema de saúde, uma vez que os leitos de hospitais encontram-se lotados devido ao insuficiente número de vagas nas unidades de terapia intensiva - UTI, para tratamento do novo coronavírus.

Portanto, para mitigar o problema elencado, faz-se necessário que o Governo – órgão máximo do executivo – elabore por meio de leis, artifícios que coíbam a exploração de notícias mórbidas na mídia para evitar a disseminação do pavor. Além disso, é responsabilidade do Ministério da Saúde, estabelecer um canal de comunicação mais efetiva com a sociedade, por intermédio de aplicativos e das redes sociais, como Facebook, para que denúncias e reclamações de direitos violados - como a falta de leitos, bem como o direito de ir e vir -, sejam efetivados, beneficiando toda a população. Como efeito social, os vírus irão contar uma outra história de nossa sociedade.