Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 09/05/2020

No livro “Armas, Germes e Aço”, Jared Dymond, renomado escritor, sugere uma consonância entre esses elementos e a própria evolução da história humana, ao passo que modificam a conjunção de  uma determinada época. Ao se pensar, por exemplo, que a Peste Negra, na Idade média, transformou a relação do homem frente às questões sanitaristas. Percebe-se, no entanto, na contemporaneidade, um emblema referente às epidemias pós-moderna e seus desafios relacionados à histeria coletiva. Essa conjunção, desse modo, evidencia o excesso de informação como um dos fatores que fomenta esse cenário, além de demonstrar a falta de ética nas relações que permeiam o tecido social.

A priori, a Covid-19 acontece em um momento que a torna singular, ao compara-lá com outras pandemias, como a Varíola, a Peste Bubônica e a Gripe Espanhola, haja vista que o Corona vírus instala-se em um mundo globalizado, conectado pela internet. Essa conjunção, por sua vez, viabiliza a informação, sendo verdadeira ou falsa, de forma instantânea, a qual dilui-se na Aldeia Global. Esse contexto, dessa maneira, proporciona um excesso de informação que certamente corrobora para que ocorra um desencontro de informações e, consequentemente, possa desencadear a histeria coletiva nesse cenário pandêmico.

Outrossim, o filósofo Henrique de Lima, no Enigma da Modernidade, elucidou que apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é indigente em suas razões éticas. Nessa lógica, percebe-se que mesmo sendo explicitada pela OMS- Organização Mundial de Saúde- sobre como a população deve proceder-se nesse momento, as informações que destoam desse consenso tornam-se vinculadas pelas redes sociais, que por sinal é um ambiente propício para esses pensamentos plásticos. Notadamente, evidencia a falta de preceitos éticos nas relações que permeiam o tecido social e, assim, contribui para que a histeria seja uma realidade em pandemias pós-modernas.

Logo, percebe-se a importância da OMS realizar palestras destinadas aos governantes dos países, com intuito de elucidar sobre a questão das epidemias contemporâneas e os desafios relacionados a histeria. Para tanto, é fundamental que convidem cientistas sociais para que demonstrem como essa sensação está alinhada ao excesso de informação e a falta de ética no seio social, com intuito de que, munido desse conhecimento, os governantes elaborem, aliado a mídia televisiva, campanhas publicitárias. Desse modo, é fundamental que denotem a importância da população formar um comportamento pautado pela ética, ao demonstrarem nessas campanhas como o compartilhamento de informações não oficiais podem colaborar com o pânico coletivo. Dessa forma, atenuar-se-á os desafios oriundos desse emblema.