Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 10/05/2020
Em sua célebre obra “Utopia”, Thomas More fala de um lugar ideal, onde não há sofrimento ou qualquer problema social. Contudo, na contemporaneidade brasílica, essa realidade relatada pelo antigo pensador está longe de ser alcançada, tendo em vista as epidemias e seus desafios relacionados à histeria coletiva. Dito isso, faz-se necessário debater as causas e consequências da temática, visando minimizar o problema.
Diante de tal cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que a Constituição Federal, em seu artigo 6º, garante aos nativos direitos sociais, tais como a saúde. Entretanto, o que se nota é a inoperância dessa norma constitucional, haja vista a mínima expressividade do Estado, ainda em vigor, no que tange ao combate às epidemias da atualidade, como a dengue. Tal situação ocorre por causa da ineficácia das medidas públicas de saúde, como de saneamento básico, principalmente, em regiões mais pobres do Brasil, como na região norte e nordeste do país, sendo os lugares com maior incidência de epidemias, como a cólera e a malária, de acordo com o site G1. Essa situação demonstra, por conseguinte, um quadro social caótico,que precisa ser combatido para efetivação do direito constitucional.
Além disso, surtos de doenças são banalizados por muitas pessoas, a qual agravam o quadro da doença no local. Consoante a isso, o sociólogo brasileiro Sérgio Buarque de Holanda propõe em seu livro “Raízes do Brasil”, que o indivíduo se relaciona de acordo com uma cultura local, influenciado pelo comportamento da coletividade em dado momento histórico. Dessa forma, em situações de epidemia ou pandemia, como atualmente a do coronavírus, em que o isolamento social é essencial para controlar a doença, muitas pessoas quebram as regras e acabam por propagar a enfermidade na sociedade, causando um quadro de histeria coletiva de difícil controle. Não é de se estanhar, portanto, que o Covid-19 tenha matado em três meses cerca 10 mil cidadãos no Brasil, segundo o site G1.
Por fim, percebe-se que as epidemias contemporâneas e seus problemas relacionados à histeria coletiva são um imbróglio. Assim, Ministério da Saúde, para fazer valer o artigo 6º da Carta Magna, deve investir em medidas de saneamento básico, como água tratada e tratamento de esgoto, por intermédio das prefeituras e de empresas públicas, como o SAAE, diminuindo casos de doenças locais. Ademais, a mídia, com seu alto caráter persuasivo, deve informar a população sobre a importância de seguir as medidas para erradicar surtos de enfermidades, mediante campanhas divulgadas nos diversos espaço, como rádio,televisão, com intuito de eliminar epidemias e pandemias da sociedade.Só assim, o país estará mais próximo de ser um lugar ideal, como aquele dito pelo filósofo londrino Thomas More.