Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 10/05/2020
Durante a Idade Média, a epidemia da peste bubônica se alastrou pelos arredores da Europa e dizimou grande parte da população europeia da época. Hodiernamente, ainda há epidemias, entretanto em um novo panorama histórico, em que o advento da tecnologia possibilitou a troca de informações entre pessoas e o surgimento de histerias coletivas. E, nesse sentido, tal pânico coletivo surge no momento em que falta o controle da disseminação de notícias falsas no mundo cibernético e, também, o ineficaz suporte governamental em promover informações de qualidade.
A princípio, é necessário analisar o quanto a disseminação de notícias falsas impacta, em tempos de epidemia, na falta de controle social. De acordo com o sociólogo espanhol Manuel Castells, em seu livro “Sociedade em redes”, a sociedade atual vive em uma época de intensa interconexão mundial, em que o fluxo de informações é compartilhado por qualquer pessoa de indefinidas partes da Terra pela internet. Desse modo, a promoção de notícias falsas no mundo cibernético é facilitada, uma vez que não há um controle de quem produziu os conteúdos veiculados nos sites. Diante disso, esse processo é intensificado quando há epidemia e os indivíduos passam a acreditar em qualquer notícia sem fontes seguras. Consequentemente, isso contribui para a histeria coletiva, a alienação e a produção de mais informações erradas, que é tanto prejudicial quanto as doenças alastradas.
Outrossim, a falta de suporte do governo é um problema que deve ser mencionado, pois acentua a histeria coletiva. Nesse âmbito, o conceito de “instituição zumbi”, do filósofo polonês Zygmunt Bauman, acrescenta à discussão na medida em que menciona o fato de que o sistema governamental se comporta como se estivesse em estado de inanição, uma vez que negligencia as medidas sociais que devem ser tomadas em casos de epidemias. Assim, a prevenção básica, que deve chegar a todos os cidadãos de uma sociedade, é prejudicada pela ineficiência dessas instituições sociais em atuar na promoção de informações de qualidade e desfazer os boatos promovidos no mundo cibernético.
Destarte, medidas são imprescindíveis para atenuar o problema da histeria no mundo contemporâneo. O Ministério da Saúde deve promover palestras, com a presença de profissionais da saúde nos meios de comunicação, de maneira a responder as dúvidas mais comuns da população e desmentir os boatos gerados na internet, com o fito de diminuir a incidência da histeria devido à disseminação de notícias falaciosas. Além disso, o Ministério da Saúde deve promover a visita das agentes de saúde, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), nas casas de famílias de baixa renda com intuito de levar informações de fontes seguras aos indivíduos que não têm acesso às informações.