Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 15/05/2020
Por diversas vezes a humanidade foi devastada (estatística e socioculturalmente) durante crises ocasionadas pela disseminação de doenças ao redor do mundo; observa-se a Peste Negra, que ocasionou a morte de milhões de pessoas na Eurásia, no século XIV, como, infelizmente, um dos mais célebres exemplos disso. Tendo em vista, atualmente na sociedade contemporânea brasileira, o cenário de epidemias e o agravamento dos quadros de histeria coletiva, compreende-se a necessidade da prevenção da saúde pública e da difusão de informação.
Mormente a isso, é fundamental analisar o desigual acesso ao saneamento básico como o maior agravante nessa problemática, já que uma enorme parcela da população nacional se encontra em situação de extrema pobreza, sendo cerca de 13,5 milhões de pessoas desde 2015, segundo o IBGE. Desse modo, grande parte ou quase tudo desse percentual reside em zonas suburbanas, sem amparo do Estado para fiscalizar o cumprimento dos seus direitos mais básicos, como o direito à saúde, com o negligenciamento dos órgãos responsáveis por assegurar a manutenção das redes de distribuição de água e descarte devido do esgoto.
Ademais, atrelada à miséria devido a desigual distribuição de renda, está a ignorância popular, ocasionada pelo pouco acesso à educação e informação de qualidade, deixando as pessoas à mercê da própria divulgação e compartilhamento de notícias, sejam estas verídicas ou não, por meio das redes sociais. Nesse ambiente de desinformação e desamparo, se torna simples a criação de um quadro de histeria coletiva, onde o povo procura, de sua maneira, um modo de encontrar respostas que desejam para as perguntas que possuem. Dessa forma, as falácias agem como uma hidra (ser mitológico que ganha mais cabeças ao ter uma decepada), sendo quase impossível de serem podadas.
Diante dessas circunstâncias, toma-se por conseguinte a indispensabilidade de alternar essa realidade. Por meio de investimentos do Estado na ampliação e implementação da rede de saneamento básico nas regiões mais carentes da nação, seria observada a diminuição de quadros de epidemias entre os habitantes, podendo-se controlar a dependência de enfermos ao Sistema Único de Saúde, o SUS, que já se encontra desfalcado, evitando a superlotação de hospitais e postos de saúde e, além disso, com campanhas midiáticas e ações escolares implementadas pelos Ministérios da Saúde e da Educação, seria feita a conscientização da população desde sua base pois, como disse o filósofo Kant, “o homem não é nada além do que a educação faz dele”.