Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 17/05/2020

A Revolta da Vacina, episódio da história brasileira que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, foi um período de descontentamento popular frente às medidas compulsórias de vacinação adotadas pelo governo, no centro da cidade. Naquele contexto, havia uma proliferação de endemias, tais como a varíola, a febre amarela, a tuberculose e a peste. Analogamente, na contemporaneidade, percebem-se as consequências danosas da histeria coletiva, cujas raízes são a desinformação e a onda do anti-intelectualismo, na contenção e na resolução de epidemias contemporâneas. Faz-se, assim, premente a análise destas causas nesse contexto.

A princípio, com o advento e a consolidação da imprensa e, posteriormente, da internet, logo perceberam-se os seus intrínsecos papéis na manutenção dos modelos democráticos, levando informações vitais para toda a sociedade. Não obstante, embora os indivíduos tenham, hordiernamente, mais acesso às informações, estas, muitas vezes, são errôneas, podendo levar à desinformação. Quando tais informações estão vinculadas ao campo da saúde pública, os resultados são nefastos, como, por exemplo, ocorreu na década de 90, em que divulgou-se, no Reino Unido, um artigo pseudocientífico em uma revista, a qual correlacionava autismo com a vacinação, permeando, até hoje, tal crença, trazendo o reaparecimento de sarampo e rubéola no Brasil.

Em adição, não só as desinformações prejudicam toda uma estrutura de conquistas sociais e sanitárias como, também, o faz a nova corrente do anti-intelectualismo, a qual enraizou-se na Idade Contemporânea.  A ignorância científica, que encontrou seu sustentáculo nas mídias sociais, cresceu, manifestando-se, desde o presidente sul-africano Thabo Mbeki, a qual tratou os enfermos de HIV com terapia musical e gengibre, ocasiando milhares de mortes, até o recente presidente norte-americano Donald Trump, a qual afirmou, publicamente, que injetar desinfetante doméstico matava o vírus COVID-19. Os brasileiros, diante de um contexto de desconhecimento generalizado, permeado pelas “fake news”, encontram-se, ainda mais, fragilizados, colocando em risco toda a coesão do tecido social, conforme defendia o sociólogo Durkheim.

Destarte, faz-se mister a adoção de medidas na resolução de tal problemática. Assim, o Estado, com o fito de conter a desinformação e as “fake news”, representado pelo Ministério da Saúde, aliado aos influenciadores digitais, deve implementar uma campanha nacional de conscientização, enfatizando o quão errôneo são as “fake news”, por meio de propagandas publicitárias, nos principais meios de comunicação do Brasil. Tais propagandas serão elaboradas conforme os conhecimentos técnicos. Somente desta forma, será possível evitar novas “Revoltas da Vacina” em um momento tão crítico.