Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 22/05/2020

Segundo Zygmunt Bauman, grande filósofo contemporâneo, acredita-se que a sociedade está envolvida no conceito de”tempo pontilhista” esse se dá pela unicidade de cada momento, em que a ideia de continuidade é frágil. Por conseguinte, a cultura do agora toma cada vez mais espaço na sociedade brasileira, onde as relações são efêmeras e o imediatismo se instala , que, somado às falhas da gestão da saúde pública , corrobora o imbróglio das epidemias contemporâneas e seus desafios perante a histeria coletiva.

Nesse contexto, vale ressaltar a influência da internet nos dias de hoje, tendo sido essa criada em 1969 no auge da Guerra Fria pelos Estados Unidos, com o propósito de facilitar a comunicação entre militares e cientistas. No entanto, essa importante ferramenta que auxilia e contribui em diferentes dimensões, através da massa de internautas insipientes, que, ao não buscarem averiguar a veracidade e procedência das informações recebidas tornam o ambiente virtual propício a disseminação das chamadas “fake news”. Sob essa ótica, em cenários de crises, as fake news possuem um forte impacto na reação da população, haja vista, que possam incitar o medo e a histeria ou até mesmo a despreocupação e consequentemente o descuido.

De modo paralelo, é incontestável o papel do Estado no que concerne a saúde e ao bem-estar público, uma vez que esses são garantidos ao indivíduo por meio da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Contudo percebe-se que o próprio falha em cumprir os direitos previstos, ao passo que essa negligência estatal impede que uma parcela da população usurfrua desse direito na prática, prova disso está no crescente número de mortes por epidemias, como a febre-amarela, a dengue e o recente coronavírus, que afetam principalmente pessoas de vulnerabilidade social e econômica.       Portanto, é necessário a adoção de medidas que atuem na problemática. Para tal, cabe ao Governo Federal investir em planos de reforma no setor de saúde pública (SUS), de modo que esse possua recursos para atender qualquer demanda emergencial da população, bem como, em planos de vigilância sanitária preventiva nos aeroportos, de forma que informe e fiscalize o indivíduo que estará sujeito a exposição de epidemias locais em seu destino, devendo o mesmo ao adentrar novamente ao país, realizar exames que mostrem se o mesmo não apresenta nenhum risco ao restante da população brasileira. Outrossim, os donos das grandes mídias sociais devem, elaborar campanhas e implementar trabalhos de peritos cibernéticos, para assim controlar a disseminação de notícias ilusórias e incentivar os usuários a não confiarem de imediato nas informações que recebe, contribuindo, desse modo, para uma sociedade mais consciente e informada.