Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 31/05/2020

Desde a Idade Média, os efeitos socioeconômicos gerados pela gravidade das epidemias levam o ser humano ao limite do desgaste psicológico. A Peste Negra, no século XIV, bem como a recente pandemia do Coronavírus, não escolheram vítimas: mulheres, crianças e idosos foram contaminados e muitos morreram. Contudo, a forma sensacionalista como os jornais noticiam momentos críticos perpetua o sentimento de preocupação incessante e configura a histeria em massa. Outrossim, ao mesmo tempo em que as mídias sociais são utilizadas pelos usuários à trabalho e para amenizar a solidão, são fonte de exposição ilimitada de informações, nem sempre verídicas, o que aumenta os riscos de ansiedade e depressão.

Primeiramente, vale ressaltar que o foco das reportagens durante uma crise na saúde pública pode orquestrar maior grau de estresse. Segundo o especialista em percepção de risco, Paul Slovic, a propagação, repetitiva e quase exclusiva, de informações sobre o número de óbitos ou a falta de tratamento efetivo faz com que as pessoas se sintam mais assustadas. Desde o início da COVID-19, meios de comunicação como o Jornal Nacional, insistiram em reportar diariamente, o aumento do número de lugares em que a doença começou a aparecer, e o fato de haver mais mortes do que no dia anterior. Tais elementos, acompanhados de imagens de pacientes sendo tratados por médicos munidos de trajes de proteção que os recobrem completamente, causam um pavor difícil de ser suportado.

Concomitantemente, muitas pessoas são levadas ao isolamento diante das recomendações de distanciamento social feitas por autoridades médicas e governos. Por isso, mais indivíduos têm recorrido às redes sociais para trabalhar, manter o contato com amigos e também obter atualizações em tempo real. Contudo, dependendo da fonte utilizada, dados falsos podem aumentar a sensação de pânico. Segundo Bourdieu, um cidadão crítico deve considerar os jogos de poder e interesse que estão por trás dos grandes veículos da imprensa. Nesse sentido, deve-se levar em consideração que as mídias sociais também influenciam e são influenciadas por outros campos (político, principalmente).

Destarte, é impreterível encontrar caminhos seguros para obter informação em momentos de epidemias. Cabe às mídias televisivas e virtuais trabalharem em conjunto com os governos, de modo que os editores busquem ouvir os administradores e profissionais de saúde para elaborarem um conjuntos de notícias que expliquem, principalmente, as formas mais eficazes de proteção para evitar que o vírus se multiplique. Cabe aos cidadãos que fazem uso das redes sociais, orientarem-se pela recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de acompanharem notícias vindas de fontes de informação confiáveis a fim de evitar o alarde e a preocupação excessiva entre seus conhecidos.