Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 16/06/2020
Aristóteles, em sua “Ética a Nicômaco”, retrata a conduta humana como prática constante das virtudes. Para o filósofo grego, o homem é causa de suas próprias ações e, portanto, sem uma práxis virtuosa não há possibilidade de se alcançar o bem comum. Ao analisar esse contexto, atrelado à conjuntura atual, nota-se que os pilares da ética e da justiça são corroídos, comprometendo a construção do bem-estar das futuras gerações, tal qual epidemias contemporâneas – como o COVID-19 – causam grandes desafios relacionados à histeria coletiva, visto que o bombardeamento de notícias negativas afetam o emocional dos indivíduos. Dessa forma, cabe ao órgão administrador das mídias conter esse impasse.
Outrossim, a história da humanidade é pródiga quanto à institucionalização de formas de conduta alimentadas por discursos que supervalorizam a postura individualista em detrimento de uma ideia de coletividade. A falta de consciência social faz, assim, com que a mídia - responsável por produzir cultura para as massas, de acordo com os filósofos e sociólogos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer, para que possa propagar os ideais capitalistas - dissemine um número maior de informações negativas em vista das positiva, o que ocasiona a histeria coletiva da população, uma vez que, diante da pandemia do COVID-19, os indivíduos buscam por noticiários que gerem esperanças para a cura. Desse modo, é necessário a interferência de medidas, por parte do órgão administrador das mídias, que visem a garantir apenas informações essenciais para a população, cuja necessidade decorre da ausência de senso ético de parte do corpo social.
Paralelamente, denotam-se consequências negativas no âmbito social, como a histeria coletiva, o que resulta, de modo mais amplo, em desmotivação da população para seguir com as medidas sanitárias corretas para conter o vírus, diante da pandemia -já que os telejornais transmitem mais calamidade- e abalo psicológico da sociedade, o que pode provocar o desenvolvimento de depressão. Por conseguinte, a persistência desses aspectos somente faz deteriorar a condição da vida humana plena na direção de um mundo injusto e antiético.
Destarte, é imperativa a atuação estatal, a partir de políticas públicas que visem a garantir a ética. Como gestor administrativo, o Estado deve enrijecer as regulamentações, em relação ao órgão administrativo das mídias, por meio da implantação de mais unidades fiscalizadoras de emissoras, a fim de que haja um maior monitoramento das notícias da pandemia do COVID-19, visando transmitir apenas informações primordiais. Assim, apoiar tais medidas corresponde em construir um mundo com predomínio de valores éticos.