Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 13/06/2020
“Enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social ; enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis, afirmou Victor Hugo no prólogo de “Os miseráveis”. Embora escrita no século passado, a constatação do escritor francês lamentavelmente , ainda é válida para o atual século, principalmente quando se percebe as epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva . Analogamente, a humanidade ainda se vê “miserável” , seja pela ausência de discernimento estatal , seja pela negação dos indivíduos frente a epidemia .
A princípio , é lícito postular que a ausência de discernimento estatal está intrinsecamente ligada aos desafios das epidemias contemporâneas . Sob esse prisma , observa-se que a sociedade desde os primórdios foi vítima das más posições do estado em relação aos surtos no âmbito da saúde , a exemplo da revolta da vacina , advento ocorrido na primeira república devido a imposição do governo em vacinar pessoas contaminadas com varíola .Tal fato , retrata a ausência de informações da sociedade , a qual encontra-se em uma posição desvalorizada no quesito conhecimento . Juntamente a esse dado, pode-se considerar com veracidade a afirmação descrita por Aristóteles em seu livro “Ética a Nicômaco” , o qual expôs o conceito de “eudaimonia” , ou seja a felicidade dos cidadãos . Desse modo, analisa-se que tal exposto encontra-se escasso na atual conjuntura.
Ademais, é seguro ratificar que a negação dos indivíduos frente a epidemia é fruto da histeria coletiva. A luz dessa perspectiva, as pessoas são dotadas de medo e insegurança , hormônios como cortisol e adrenalina - acabam por aumentar os níveis de estresse e medo quando essas estão em situações conflituosas . Nesse contexto , as epidemias trazem comportamentos agressivos como depressão, ansiedade o que caracteriza uma histeria coletiva . Dessa maneira , evidencia o “autoimperialismo” descrito por Moser- escritor estadunidense que definiu as ações de brasileiros como colonizadoras , destrutivas e negligenciadoras , o que representa a asfixia social e sugere alterações no “status quo”.
Logo , em virtude dos fatos supracitados , urge a mudança . Faz-se necessária a participação de Ongs, as quais irão trabalhar contra a ausência de discernimento estatal , por meio de campanhas que visem propagar os conhecimentos necessários , evitando a alienação da sociedade em geral . Além disso , é de suma importância a participação do estado na figura do Ministério da Saúde criar projetos para ser desenvolvidos em hospitais e clínicas,enfatizando a saúde psíquica dos indivíduos frente à epidemias, auxiliando como controlar suas emoções e inibir futuras histerias coletivas. Nesse ínterim ,é mister a criação de um plano de governo emergencial para possíveis problemas na saúde , evitando assim a “asfixia social” . Doravante , a realidade descrita por Hugo poderá ser mitigada .