Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 19/06/2020

Segundo Marshall McLuhan, filósofo canadense, as pessoas vivem em uma aldeia global, na qual as distâncias físicas parecem ter diminuído. Como consequência dessa aproximação, percebe-se que a disseminação de doenças se tornou mais veloz, o que resultou na generalização de epidemias. Nesse sentido, o medo de ser contaminado também cresceu e a histeria coletiva se tornou uma realidade. Destarte, vale destacar quais são os desafios gerados pelas patologias, a fim de diminuí-los e amenizar o medo que os indivíduos têm.

É sabido, antes de tudo, que o sensacionalismo midiático potencializa o sentimento de amedrontamento coletivo. Sob esse viés, o filme " O abutre" , lançado em 2014, demonstra o quanto o jornalismo pode ser perverso, uma vez que, na obra, o personagem busca por audiência independente do sofrimento alheio. Analogamente à ficção, nota-se que a mídia televisiva possui um caráter, além de informativo, de espetaculização, o que faz com que o público se impressione com as informações apresentadas. Assim, os espectadores são bombardeados com notícias que foquem nos problemas, como, por exemplo, na quantidade de mortos e infectados pelo coronavírus, mas não no número de recuperados. Tal postura antiética cria nos cidadãos um sentimento de impotência diante das epidemias,  pois internalizam que vão ser os próximos a ficarem doentes.

Ademais, convém destacar que o medo de uma crise econômica corrobora a histeria generalizada. De acordo com a ‘Folha de São Paulo", 1,5 milhão de brasileiros buscam por seguro-desemprego no período de pandemia. A partir disso, é possível ampliar o significado desse dado e afirmar que  a quantidade de empresas que faliram ou que demitiram seus funcionário, ao redor do mundo, é preocupante, pois demonstra que o futuro pós-epidemia será de depressão financeira. Essa previsão pessimista da realidade faz com que os indivíduos fiquem inseguros e, consequentemente,  a histeria começa a ser compartilhada por todos.

Torna-se claro, portanto, que as epidemias contemporâneas possuem desafios gerados pela mídia e pela possível crise econômica. A fim de atenuá-los, é essencial que a Organização das Nações Unidas para Educação, para Ciência e para Cultura em parceira com os Ministérios da Comunicação dos países faça um acordo com as mídias televisivas para elas mostrarem todos os dados, por meio da divulgação de reportagens com pessoas que se recuperaram das patologias, demonstrando a rotina e os cuidados que precisam ter. Concomitantemente, deverão existir parcerias públicas-privadas, para reduzir os impactos econômicos gerados pela pandemia, garantindo que a economia funcione depois dessas crises. Dessa maneira, será possível lidar com a aproximação de se viver em uma aldeia global.