Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 01/07/2020

A histeria diante do distanciamento social

O filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirmava que “Não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas”. Analisando o pensamento e relacionando-o à realidade pandêmica no mundo, percebe-se que epidemias e pandemias, afetam a saúde tanto mental, quanto física da sociedade, a forma como reagimos a tudo isso interfere diretamente no índice de disseminação dela, atualmente no Brasil temos 1.409.693 casos confirmados de COVID-19 e 59.745 mortes.

Dentre os inúmeros motivos que levam o vírus a se disseminar de tal maneira é incontestável que a ignorância do distanciamento social por parte da população é um ponto-chave para isso, estamos diante de uma histeria coletiva na qual as pessoas preferem sair de casa e desconsiderar que estamos em uma pandemia. Isso acontece, pois, há muitas pessoas estão saindo sem necessidade, a população quer logo que o distanciamento social acabe e como isso não acontece, elas resolvem fazer por si próprias o que acham cabível para melhorar seu estado emocional diante dessa situação, mas isso só se torna um círculo vicioso, pois quanto mais aglomeração social, mais disseminação, e consequente um isolamento mais prolongado.

De acordo com uma pesquisa realizada pela plataforma do uol, com dados coletados até dia 31 de maio, uma média de apenas 42,77% da população brasileira está aderindo ao isolamento social. “O progresso é impossível sem mudança; e aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada.” Essa é uma frase do dramaturgo e jornalista irlandês George Bernard Shaw, aplicando-a no nosso contexto atual, entende-se que para essa situação acabar logo, se deve respeitar as normas de isolamento.

A histeria atualmente não se trata mais do medo de pegar o vírus como era logo no início da pandemia, apesar de ainda não quererem ser contaminadas, as pessoas quebram o isolamento. Em virtude do que foi mencionado faz-se necessário que o Estado — apesar de o Ministério da Saúde poder sugerir tal medida, a definição concreta cabe aos Estados — adote o lockdown, que significa bloqueio total e é um modo mais rígido do distanciamento social, e serviria para desacelerar a propagação do vírus, consiste em restringir a circulação da população em lugares públicos, permitindo apenas saídas para questões essenciais.