Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 03/07/2020
“A estupidez insiste sempre”
“A estupidez insiste sempre”. A frase do escritor Albert Camus, nos causa perplexidade verificar a semelhança entre os indivíduos no contexto da segunda guerra e no contexto atual. Na atualidade, o vírus Covid 19 assola o mundo, matando centenas de milhares de pessoas. No Brasil já são mais de sessenta mil mortos, nos EUA mais de 100 mil mortos, na Itália e na Espanha os mortos foram mais de 30 em cada país. São milhões de infectados no mundo todo. Semelhante à peste relatada por Camus, a propagação do vírus coloca em debate a importância de um projeto coletivo para a sociedade.
Primeiramente, é preciso destacar que a contenção do vírus só é possível se todas as pessoas e nações assumirem compromisso com a coletividade. Ou seja, estamos todos num único planeta e todo morador precisa cuidar e ser cuidado igualmente. Mas isso parece ser um sonho, visto que vivemos numa sociedade tão pouco cristã, onde a empatia e a solidariedade não se fazem presente nas relações baseadas no individualismo e fragmentação.
E nesse momento de pandemia podemos observar o quão egoísta é a nossa sociedade, ao descumprirem a principal medida de contenção do vírus: distanciamento social. Parte significativa da população e até mesmo o presidente do país, não estão evitando aglomerações, pois são contrários ao distanciamento social, numa inversão de valores, onde o dinheiro está acima da vida.
Em segunda análise, podemos considerar que o avanço do coronavírus nos permitiu visualizar a desintegração social, expressa nos mais diversos conflitos: crise econômica, desemprego, desigualdade social, precarização do sistema educacional. Contudo, se o processo de combate aos vírus é coletivo, a sociedade precisa estabelecer atitudes de solidariedade, por se tratar de uma doença que afeta a todos, independentemente de classe social.
Portanto, para que a realidade não imite a ficção narra por Albert Camus, é necessário que os indivíduos exerçam a empatia, como forma de fortalecer laços de solidariedade. Além disso, o Estado, as igrejas, as escolas e toda sociedade necessitam ser o exemplo, procurando conscientizar a população sobre medidas de prevenção, para que os impactos possam ser minimizados e as vidas preservadas.