Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 03/07/2020
Covid-19 e Histeria Mundial
Desde o final de 2019, quando a epidemia eclodiu no norte da China, estamos sendo bombardeados por informações sobre o coronavírus. O que parecia ser apenas uma gripe mais forte, se tornou oficialmente uma pandemia na quarta-feira (11/3), após um anúncio da Organização Mundial da Saúde (OMS). Depois deste anúncio, o mundo entrou em choque. Os mercados desabaram e uma forte onda de preocupação e pessimismo tomou conta da maioria da população mundial, em função do número crescentes de contágios, dificuldades no diagnóstico, incertezas no tratamento e aumento das mortes, especialmente em idosos.
Passamos por um momento do “quanto pior melhor e dos exageros que vem sendo cometidos. É nítido o papel histérico e desinformativo que alguns órgãos de comunicação e políticos vêm fazendo sobre esta pandemia. Acusam seus adversários e tomam decisões de apelo demagógico e eleitoreiro, sem o mínimo de senso científico, apostando no caos como fonte de notícias e também na desestabilização geral, para obterem proveito próprio.
O grande aprendizado disso tudo que está acontecendo no mundo é que precisamos investir cada vez mais em saúde. Se todos os países tivessem leitos suficientes para atendimento da população, não haveria problemas para cuidarmos dos doentes mais graves e não haveria a necessidade deste confinamento insano. O leitor pode pensar: isso é uma utopia! Mas eu rejeito fortemente este discurso. Não é utopia! Bilhões de dólares são desperdiçados no mundo, investindo em áreas não tão importantes. Por que não priorizarmos a Saúde? Bilhões de pessoas morrem no mundo de outras doenças que poderiam ser facilmente erradicadas se houvesse um investimento sério na Saúde. Porém, a maioria dos que morrem são pessoas… pobres. Já o coronavírus pegou em cheio também as classes mais altas. Este vírus não faz seleção por renda e isso fez o mundo tremer.
Estamos todos no mesmo barco nesse enfrentamento mundial. Não é hora para abutres e oportunistas de plantão. As decisões devem ser tomadas com muita prudência, mas sem histeria coletiva, para que exageros não sejam cometidos e o preço a pagar por isso seja tão alto quanto os efeitos da pandemia. Evidências científicas devem nortear todas as decisões e as autoridades competentes de saúde devem ter uma voz ativa nestas decisões.