Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 14/07/2020
Saímos de uma histeria e entramos em outra. E nem isso está muito certo. Hoje enfrentamos múltiplas histerias ao mesmo tempo. A mais recente, claro, é a do COVID-19, mais conhecido como coronavírus. Além da China, onde o vírus teve origem, grandes cidades da Itália e Japão estão em quarentena, e o Japão fechou todas as escolas.
A Amazon pediu que seus 798 mil funcionários cancelassem todas as viagens domésticas e internacionais não-essenciais imediatamente. Enquanto isso, de acordo com a revista Time, “as ações das empresas norte-americanas perderam quase 12% do seu valor e US$3,5 trilhões desapareceram do mercado acionário dos Estados Unidos. Foi a pior semana para o mercado de ações desde a crise financeira de outubro de 2008”.
Na gripe de 2017-2018, só nos Estados Unidos, de acordo com o Centro de Prevenção e Controle de Doenças, cerca de 61 mil pessoas morreram. Mas como essa gripe não foi batizada com um nome especial, apenas as pessoas próximas daqueles que morreram conhecem e se importam com a gripe anônima.
Não entendo direito por que as pessoas entram em pânico com tanta facilidade. Talvez seja algo intrínseco à natureza humana. Talvez seja o poder da imprensa de influenciar as pessoas. Talvez seja porque a vida é tão fácil no mundo contemporâneo que as pessoas acabam por esperar viverem uma vida sem doenças letais ou morte prematura por qualquer causa. Talvez seja por causa da falta de perspectiva já citada.