Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 16/07/2020

No clássico literário “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor português José Saramago descreve uma sociedade que sofre uma epidemia repentina, que compromete a visão. Apesar de fictícia, essa obra faz-se real, atual e traz à tona a importância da discussão sobre as consequências da globalização e ao que tange a necessidade de reais políticas públicas quanto a prevenção de epidemias e da histeria social.

Em primeiro lugar, destacam-se os problemas do sistema capitalista quanto ao devido atendimento a toda a população. Consoante ao geógrafo Milton Santos, a globalização é excludente. Devido à grande desigualdade social, enquanto alguns se preocupam exacerbadamente com medidas higiênicas e com o estoque de mantimentos em tempos de epidemias, outros, não tem garantia do mínimo para sobreviver. De acordo com a Oxfam (Comitê de Oxford para Alívio da Fome), a pandemia do coronavírus aumenta a fome no mundo e pode causar 12 mil mortes por dia. Isso acontece devido à crise econômica mundial em momentos de calamidade na saúde.

Outrossim, a falta de real empenho do Estado em amenizar esses flagelos levam a níveis exorbitantes de contaminações que deixam prejuízos ao corpo social. Segundo o pensamento marxista, priorizar o bem pessoal em detrimento ao coletivo gera inúmeros prejuízos à sociedade. Ao conservar as atividades econômicas do país, o governo ameniza o impacto dos surtos e auxilia no extermínio de milhares de pessoas. A população desenvolve uma neurose por temer a contaminação, que traz doenças psicológicas, como a ansiedade, que dificulta o processo de isolamento e as medidas de prevenção na quarentena.

Evidencia-se, portanto, que a histeria coletiva também é um problema durante períodos epidêmicos, e deve ser tratado seriamente. O Estado deve atuar mediante os Ministérios do Meio Ambiente e da Saúde por meio da coleta, tratamento e destinação correta do esgoto, para a efetivação dos objetivos do Plano Nacional de Saneamento Básico. Também, o Ministério da Economia deve auxiliar as populações mais carentes por intermédio de vales alimentação para garantir seus subsistências. Só assim, esses desafios serão minimizados e a sociedade atual, tal qual a descrita por Saramago, será sanada em breve.