Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 24/08/2020
No filme “Contágio”, observamos um vírus se espalhar de forma desesperadora e veloz, com o número de infectados e mortos crescendo exponencialmente. Enquanto a população se encontra em um estado de medo em decorrência da descoberta de um novo vírus que pode ser fatal, o blogueiro Alan Krumuwide utiliza suas redes sociais para espalhar inverdades acerca de um remédio que, de acordo com ele, é capaz de curar a doença, gerando um cenário de histeria coletiva quando o mesmo não traz efeito naqueles que acreditaram na informação. Fora da ficção, é possível observar como informações falsas podem levar à situações de caos na população.
Compreende-se que, desde a Terceira Revolução Industrial, as tecnologias estão cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas, o que interfere diretamente na forma como as mesmas ficam informadas diante das situações atuais. Por ser um meio de fácil acesso, há muitas informações válidas, assim como há aquelas sem fundamentos. Diante do contexto da epidemia mundial do coronavírus, a sociedade se mantém informada por meio das redes sociais, o que pode ocasionar um problema se tratando de informações falsas, como mostra um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Friocruz), na qual mostra que 65% das fake news envolviam curas caseiras milagrosas para a Covid-19, nenhuma comprovada pela ciência.
Com o uso cada vez mais comum da internet, torna difícil o controle do que é postado e visto por todos. E, como muitos ainda preferem esse recurso à assistir ou ler jornais, a desinformação pode se espalhar de uma maneira sutil e rápida, atingindo, também, figuras importantes, como o presidente do Brasil. Mesmo após a Organização Mundial da Saúde (OMS) atestar a sua ineficácia, Jair Bolsonaro dá continuidade a uma campanha a favor do uso de cloroquina nos cuidados do coronavírus, dividindo ainda mais a população e podendo provocar mais um caso de histeria.
Diante do exposto, é necessário que o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde (MS), em conjunto com o Ministério da Educação (MEC) crie campanhas para a conscientização acerca do perigo da disseminação de fake news com o objetivo de que a população esteja alerta com o conteúdo que compartilham em grupos familiares e redes sociais diversas. Ainda, é preciso que saibam identificar essas famosas fake news para que não compactuem com uma campanha falsa. Assim, é possível minimizar os impactos da desinformação, tornando mais fácil para o governo e para as próprias pessoas como lidar com o vírus.