Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 14/09/2020

Na modernidade, diversos países precisam lidar com o aparecimento de epidemias e seus efeitos. Sense 8, série original da Netflix, tem como uma de suas principais pautas o surto do ebola, vivido na África, que ocasionou milhares de mortes e devastou famílias no continente. Fora das séries, situações como essas são uma realidade no Brasil e no mundo, sendo necessário, além de medidas profiláticas para conter a disseminação da doença, mecanismos para minimizar a histeria coletiva. Dessa forma, é possível destacar dois fatores que colaboram com o caos social frente às pandemias: falta de suporte psicológico e o espalhamento de fake news.

Em uma análise inicial, a falta de suporte psicológico amplia a desordem coletiva em tempos de surtos. Segundo o doutor Dráuzil Varella, é fato que o isolamento social (uma das principais profilaxias) gera a precarização da saúde mental, podendo causar distúrbios do sono, ansiedade, depressão descontrole alimentar ou grande perda de apetite. Desse modo, para minimizar os impactos gerados nesse momento, urge que o cuidado com a saúde mental seja implementado (com suporte psicológico e, em casos mais severos, psiquiátricos) de forma efetiva, o que não ocorre em território verde-amarelo, já que esse tipo de tratamento tem alto custo e não é acessível às camadas mais populares, sendo também escasso nos principais postos de saúde devido a alta demanda. Sob esse viés, enquanto a negligência às práticas de autocuidado for a regra, saúde psíquica será exceção.

Em seguida, há também o ampliamento das fake news. Na série supracitada, foi retratado o intenso preconceito com os portadores de ebola, como também uma constante onda de desinformação quanto às formas de contágio dessa patologia, o que apavorava a população. Dessa forma, é possível destacar que, para evitar o caos social decorrente desse processo, é necessário conferir a veracidade das notícias, já que, em momentos de crises como essas, é preciso conferir que apenas a opinião de especialistas e fontes confiáveis sejam compartilhadas. Portanto, enquanto esse exercício de responsabilidade social não for um exercício diário dos cidadãos, o Brasil será obrigado a conviver com um dos maiores problemas atuais: as fake news.

O cenário de desordem vivida no continente africano retratado por Sense 8 urge ser não mais uma realidade. Para isso, é necessário que o Ministério da saúde  desconstrua esse cenário de instabilidade mental, disponibilizando uma ampla rede de profissionais da saúde especializados nessa área (psicólogos e psiquiátricas), por meio de plataformas digitais mais efetivas e funcionais, além de ampliar o número desses profissionais no SUS (para aqueles que não tem acesso à internet) para que haja estabilidade emocional e o controle das patologias supracitadas em tempos epidêmicos.