Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 01/10/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que as epidemias e a histeria da população são temas pouco discutidos, o que dificulta a concretização dos planos de More. Nesse sentido, diante de uma realidade instável e temerária que mescla conflitos nas esferas saúde e segurança, analisar seriamente as raízes e frutos dessa problemática é medida que se faz imediata.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a má qualidade dos hospitais para receberem os doentes em momentos de crises epidêmicas deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam as ocorrências. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da sociedade, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à pequena atuação das autoridades, a saúde pública não recebe recursos suficientes, o que inviabiliza a manutenção das estruturas de atendimento à população e ao fornecimento de um serviço rápido e eficiente para tratar dos infectados. Desse modo, faz-se mister a reformulação da postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a histeria das pessoas como consequência do problema. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, não são as crises que mudam o mundo, e sim a nossa reação à elas. Partindo desse pressuposto, a preocupação desmedida da sociedade é ampliada quando se nota o cenário da saúde pública, a qual não consegue lidar com o contingente de doentes, porém, essa histeria apenas serve de barreira para o controle da epidemia, uma vez que o estado tem que dividir sua atenção entre acalmar a sociedade e combater a doença. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a preocupação indiscriminada contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de melhorar a qualidade no atendimento aos doentes, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Saúde, será reverido na construção de hospitais e UBS (Unidades Básicas de Saúde), mas também no recrutamento de mais profissionais, através de uma conferência, que se mostrem à disposição da população nos momentos de crises. Nesse viés, aprimorar-se-á, em médio e longo prazo, a resposta às epidemias, e a coletividade alcançará a Utopia de More.