Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 19/10/2020
“Estou ficando louco de tanto pensar/Estou ficando rouco de tanto gritar.” Nesses versos da música “Aa Uu”, da banda Titãs, retrata um eu-lírico em estado de desequilíbrio emocional. De forma análoga, semelha-se à realidade de muitos brasileiros em período de epidemia, em decorrência dessa histeria surgem obstáculos quanto ao combater às enfermidades vigentes. Essa angústia, deve-se tanto pelo descaso social quanto pela carestia de infraestrutura da saúde pública. Desta forma, torna-se imperioso ações efetivas de enfrentamento a esse cenário contemporâneo no Brasil.
A priori, é válido salientar que a desobediência civil às medidas de prevenção é perigo a saúde da população, pois o descaso social promoveu o estabelecimento de eventos que aumentam o contágio por Covid-19. Em alusão à questão, na Baixa Idade Média, tanto plebeus quanto nobres foram acometidos pela Peste Negra, devido a desinformação higiênica relacionado com forte influência religiosa, com intuito de amenizar a epidemia, os plebeus se isolavam e rezavam nas casas aglomeradas, com efeito a contaminação tornou-se crescente. Atualmente, essa perspectiva preconceituosa ainda persiste nas convenções sociais, mas também em locais de lazer, e consequentemente, o histerismo somente aumenta no país. Logo, percebe-se que a desatenção populacional à medicina preventiva influência no desequilíbrio emocional na sociedade brasileira.
Além disso, a falta de infraestrutura da saúde pública é uma barreira à promoção da cidadania, uma vez que a má distribuição de médicos, e ausência de leitos, acarretam numa assistência hospitalar inadequada aos cidadãos, aparenta-se uma negligência estatal ao caso. Conforme com artigo 196, da Constituição Federal, a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantir medidas de acesso universal e igualitário nas regiões brasileiras. No entanto, hoje em dia, o cenário da saúde pública brasileira contradiz a legitimidade da Carta Mãe, os cidadãos de menor poder aquisitivo não possuem um atendimento adequado ao combate de epidemias. Segundo a Constituição Federal de Medicina , de 2018, 89% da população brasileira classifica os hospitais públicos como péssimos e ruins. Enfim, nota-se que essa infraestrutura pode impactar, em desequilíbrios das camadas sociais desfavorecidas.
Portanto, é indubitável analisar os desafios das epidemias para criara ações efetivas. Com objetivo de amenizar a histeria coletiva e seguridade social, cabe ao Estado desenvolver diretrizes de normas sociais em períodos de epidemias, sob fiscalização do Poder Jurídico. Ademais, a fim de que haja uma infraestrutura de saúde eficaz, o Ministério da Saúde com as Secretarias Estatais, devem projetar um plano de reconstrução de hospitais em estado de precariedade, por intermédio de verbas dos governos estatais. Assim, o abalo psicoemocional da música “Aa Uu”, de Titãs, não persistirá no país.