Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 14/10/2020

De acordo com a psicologia, a histeria é um quadro clínico caracterizado por intenso efeito psicossomático que pode causar paralisias, perda dos sentidos, entre outros problemas. Nessa perspectiva, percebe-se que o termo histeria coletiva tem sido usado de forma equivocada quando é associado ao medo gerado por epidemias contemporâneas como a do coronavírus. Essa enfermidade, que atualmente já é considerada uma pandemia, não causa histeria, mas, temor devido ao risco de morte e aos desafios econômicos e sociais inerentes a doença.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a dificuldade de manter as atividades econômicas é um dos principais entraves relacionados ao pavor gerado pelo coronavírus. Isso se deve ao fato de que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor de serviços emprega cerca de 70% da população. Nesse sentido, levando-se em consideração a alta transmissibilidade do vírus e a necessidade de distanciamento social, é possível perceber que esse setor da economia, que engloba bares, restaurantes, lojas etc, é fortemente impactado pelo medo do contágio pelo novo coronavírus. Assim, é necessário propor medidas que possibilitem a continuidade das atividades econômicas de forma segura.

Além disso, outro desafio associado ao temor causado pela pandemia do coronavírus é o controle das informações, sobre a doença, que circulam na rede. Isso porque, na ótica do filósofo Pierre Lévy, as sociedades atuais são hiperconectadas e isso favorece a disseminação de “fake news” que, nesse caso, por exemplo, fazem a população aderir a tratamentos sem eficácia cientificamente comprovada contra o vírus. Isso é um problema muito grave sobretudo no Brasil em que, de acordo com o IBGE, aproximadamente 50% da população não completou o ensino médio. Dessa maneira, nota-se que essa parcela da população não tem uma formação científica sólida e, consequentemente, está mais vulnerável às informações falsas que circulam na rede. Por isso, é preciso criar uma campanha nacional de combate à doença que seja acessível para toda a sociedade.

Conclui-se portanto que, a fim de combater os desafios relacionados ao medo coletivo causado pela pandemia do coronavírus, os Ministérios da Economia e da Educação devem fomentar a criação de uma campanha nacional de enfrentamento da doença. Essa campanha deve ser veiculada nos principais meios de comunicação e deve ter como objetivo orientar a sociedade, com base em argumentos científicos, sobre como retomar as atividades econômicas de maneira segura. Ademais, por meio de declarações de especialistas reconhecidos nacionalmente, a campanha deve desmentir “fake news” e informar a população sobre a forma correta de se prevenir do vírus.