Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 28/10/2020

Com o advento da internet, as informações disseminam instantaneamente por todas as partes do globo. Como consequência dessa difusão, as pessoas recebem notícias ao todo momento e, muitas vezes, não conseguem processar tantos “inputs”. No caso recente do coronavírus, as matérias sobre o surgimento da doença vieram acompanhadas por um total desconhecimento que viroses novas apresentam, como não saber a profilaxia e o tratamento. Assim, o medo pela letalidade do novo vírus e as mudanças repentinas nas relações de trabalho das pessoas acabam por gerar uma histeria coletiva.

Em primeiro plano, destaca-se que as notícias de milhares de mortes diárias em diversos países gera um medo generalizado na sociedade. Aliado a essas doses diárias de desespero, a falta de um tratamento para amenizar os efeitos letais dessa enfermidade fazem com que não tenha uma perspectiva em curto prazo de amenizar esse alto número de fatalidades.  Nesse sentido, faz-se necessário uma reflexão sobre a afirmação do filósofo grego Hipócrates, “o homem saudável é aquele que possui um estado mental e físico em perfeito equilíbrio”, em que percebe-se que essa histeria coletiva acaba por gerar pessoas “doentes” e por agravar o problema atual.

Além disso, as mudanças nas interações empregatícias também acarretam em ansiedade pela maior parte daqueles afetados por tais alterações. Dessa forma, observa-se que a necessidade de implementar as medidas para achatamento da curva, como o isolamento social, fez com que muitas pessoas perdessem seus empregos e fechassem seus negócios. Nessa perspectiva, segundo pesquisa realizada pelo SPC Brasil, cerca de 70% daqueles que perdem sua fonte de renda desenvolvem um quadro de ansiedade. Assim, a fala de Hipócrates mostra que não é possível ser uma pessoa saudável caso apresente esse desequilíbrio mental, caracterizado pelas incertezas causadas pelo desemprego.

Portanto, a letalidade de uma epidemia e as alterações nas relações trabalhistas durante esse período são os principais responsáveis por gerar essa histeria coletiva. Nesse aspecto, apresenta-se como fundamentais a adoção de medidas, como: o Ministério de Saúde, em associação com as universidades públicas, deve investir em pesquisas para o desenvolvimento de mecanismos, tais como novos medicamentos e base de dados sobre as enfermidades, para atenuar os efeitos de uma epidemia. Além disso, o Governo brasileiro deve ofertar auxílio financeiro, como empréstimos subsidiados, para as empresas em períodos de pandemia em que há a impossibilidade de trabalho, para que a população não sofra mudanças repentinas na sua fonte de renda geradas por essas crises.