Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 07/11/2020

Durante a Idade Média, a Europa foi assolada por uma epidemia de Peste Negra, doença causada pelas pulgas que parasitam ratos, levando a morte de um terço da população. Tal acometimento, levou os indivíduos a uma preocupação intensa, acreditando que a causa desse problema era um castigo divino. Assim como na antiguidade, o mundo vem enfrentando nos dias atuais, uma epidemia de Coronavírus, uma cepa de vírus respiratório que está presente na maior parte do globo, com resultados negativos e óbitos numa quantia exorbitante, fato esse que deixa a população em pânico. Essa condição pode ter como causas a desinformação coletiva e a má influência midiática.

Em primeiro lugar, a falta de informação da população tem contribuído para a permanência do problema. No Brasil, muitas pessoas não tinham consciência das formas de contágio da doença e não se preveniram a tempo, de modo que a doença disseminou por todos os continentes num pequeno intervalo de tempo. Nesse contexto, a obra do filósofo Zygmunt Bauman, “Modernidade Líquida”, ao referir que a pós-modernidade é influenciada pelo individualismo, pode ser associada ao tema. Em virtude disso, há como consequência a falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Esse comportamento egoísta, de negligenciar as medidas necessárias para se evitar o adoecimento, funciona como forte empecilho para a sua resolução.

Em segundo lugar, a histeria coletiva recebe influência negativa da mídia. Nessa perspectiva, as redes sociais ao disseminarem notícias falsas, sensacionalistas, tendenciosas ou até mesmo a opinião de certos grupos sociais causam um descontrole da população, levando a alteração em seu comportamento e prejuízos psicológicos. Diante dessa realidade, a fala do filósofo Pierre Bordieu de que, aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia, não deve ser convertido em mecanismo de opressão, relaciona-se com o tema.  Nesse sentido, a mídia deve cumprir o seu papel de informar a população, como atitude democrática de acesso à informação e não de espalhar notícias falsas e sensacionalistas, que causam histeria nos espectadores mal informados.

Logo, medidas devem ser feitas para se alterar o cenário de histeria coletiva no Brasil, relacionada a episódios de epidemias na atualidade. Para isso, as Unidades Básicas de Saúde, devem realizar palestras para a população, com a participação de médicos infectologistas, de modo a esclarecer sobre as comorbidades emergentes, além das Secretarias de Saúde divulgarem as informações de modo claro e com linguagem simplificada, a fim de que todos possam compreender o processo da doença em questão e não se tenha transtornos desnecessários. Assim, os brasileiros estarão mais bem esclarecidos e não serão má influenciados pela mídia.