Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 17/11/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade idealizada, formada por um corpo social isento de conflitos e problemas. Fora da ficção, vê-se que na realidade contemporânea brasileira ocorre o oposto do que o autor prega, uma vez que existem barreiras como o desequilibrado comportamento social advindo de contaminações em massa. Esse cenário antagônico é fruto tanto da má influencia midiática, que bombardeia os cidadãos com informações alarmistas, quanto das precárias condições de saúde que são fornecidas ao povo.
Em abordagem inicial, vê-se que os veículos midiáticos interferem negativamente para os casos de histeria coletiva em casos epidêmicos. Nesse sentido, ganha voz o pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu, o qual defendeu que o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Na esteira dessa ideia, nota-se que a constante abordagem das doenças nos programas televisos é um problema, visto que a importância da conscientização coletiva contrasta com o surgimento de distúrbios psicológicos na população. Assim, fica claro que as excessivas informações midiáticas em tempos de epidemia corroboram para surtos mentais em massa.
Além disso, os desafios relacionados à histeria coletiva são aumentados em virtude da ausência de condições ideais no âmbito da saúde. Na obra “O cidadão de papel”, o escritor brasileiro Gilberto Dimenstein disserta acerca da inefetividade dos direitos constitucionais, sobretudo, no que se refere à desigualdade de acesso aos benefícios normativos. De maneira análoga, serviços de direito dos cidadãos como o Sistema Único de Saúde (SUS) não contemplam o corpo social em conjunto, o que é agravado em casos de epidemia, visto que pessoas de maior poder econômico são favorecidas em detrimento dos mais pobres. Dessa forma, é notório que o descaso governamental em fornecer uma saúde de qualidade aos cidadãos fomenta o aparecimento de distúrbios psicológicos em epidemias.
Infere-se, portanto, que urgem medidas efetivas que visem mitigar as consequências mentais e de saúde advindas de epidemias contemporâneas. A priori, compete ao Ministério das Comunicações, em conjunto com as empresas midiáticas, exercer um controle consciente sobre os noticiários televisos que abordem sobre as doenças vividas pela população. Simultaneamente, tais ações serão realizadas por meio da parceria com canais de televisão, que irão controlar o tempo de exibição e abordagem das notícias relacionadas ao contágio populacional, com o intuito de criar uma sociedade atualizada e informada, no entanto, sem que haja alienação social. Com isso, espera-se diminuir casos de histeria coletiva que surgirem nos períodos epidêmicos.