Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 02/12/2020
“Eu vejo o futuro repetir o passado”, esse célebre verso de uma das músicas do cantor brasileiro Cazuza representa o caráter cíclico da história. Nessa ótica, é possível observar semelhanças entre as epidemias que ocorreram no passado - peste bulbônica, gripe espanhola - com as efemeridades da atualidade, em especial a causada pelo vírus Covid-19. Em ambos momentos históricos pode-se notar grande histeria coletiva provocada pela fácil circulação dessas doenças, isso se deve não somente pela perpetuação da desinformação e imprudência dos indivíduos, mas também pela negligência estatal na garantia de serviços de saúde eficientes. Faz-se necessário, portanto, encontrar caminhos para mitigar as consequências das epidemias e controlar o estado de perturbação social.
Primeiramente, é válido enfatizar o histórico desafio da sociedade mundial ao enfrentamento de epidemias. Nesse contexto, no século XIV, a peste bulbônica foi causa de morte de cerca de um terço da população europeia, causando, assim, grande desequilíbrio social e financeiro no continente. Na contemporaneidade, embora os avanços na ciência e enfrentamento à efemeridades tenham sido exponenciais -vacinas, soros, antibióticos, procedimentos cirúrgicos- é observada uma histeria semelhante à ocorrida durante a peste. Esse comportamento deve-se, principalmente, à desinformação e comportamento inadequado dos indivíduos, uma vez que parte da população propaga informações e medidas de combate errôneas, contribuindo assim para o agravamento das epidemias.
Somado a isso, é notória a ineficácia e despreparo dos órgãos de saúde, em principal os de domínio do estado, como no Brasil, o SUS (Sistema Único de Saúde). De acordo com a “Lei do SUS”, aprovada em 1990, é função do estado não apenas a cura de doenças, mas também a prevenção e a promoção da saúde de todos. Ainda que o sistema de saúde brasileiro atinja milhares de cidadãos é fato que não atinge a totalidade, visto que as melhores estruturas e profissionais encontram-se em grandes centros urbanos, além de receberem a maior parte das verbas. Nesse cenário fica evidente o descaso com parte da população, em principal as cidades periféricas e meios rurais, acentuando a histeria da população durante epidemias sem o devido apoio e segurança.
Urge, pois, medidas de combate aos desafios decorrentes das pandemias. É dever do Governo Federal, mediante repasse imediato de verbas, expandir e equipar os centros de saúde, priorizando as cidades e municípios que não possuem devidas estruturas ou são epicentros da pandemia, com o objetivo de dar suporte aos casos confirmados e graves das doenças. Ademais, cabe à população informar-se, através de informações já passadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde), e propagar informações de fontes seguras, adotando medidas profiláticas para minimizar a histeria social.