Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 20/12/2020
Durante o século XIX, diversas mulheres denominadas pela psiquiatria de “histéricas” sofriam com paralisias corporais sem nenhuma causa orgânica. Posteriormente, com as investigações clínicas do médico alemão Sigmund Freud, constatou-se que a causa do problema tinha origem psíquica. Atualmente, tem-se usado o termo psiquiátrico para um grupo de pessoas que enfrentam uma epidemia de modo alarmante. Entretanto, esse modo de agir frente a uma nova doença tem sua raiz no desconhecimento quanto à enfermidade e as dificuldades enfrentadas devido ao colapso financeiro.
Em um primeiro plano, a falta de informação sobre uma determinada epidemia pode afetar negativamente o comportamento de uma sociedade. Nesse sentido, sem saber sobre uma determinada doença, que tem atingido diversas pessoas ao mesmo tempo, pode-se lidar com esta situação a partir de ideias destrutivas, fruto do medo e da desinformação. De fato, em diversos momentos da humanidade, achou-se que o mundo iria acabar, ou que uma determinada doença tratava-se de castigos divinos, como o caso da contaminação pelo vírus da Aids. Nesse sentido, desconhecer uma determinada doença contribui para a produção e atitudes denominadas “histéricas”.
Além do desconhecimento, a sociedade desinformada ainda precisa lidar com outro problema: o atual desamparo financeiro gerado pela pandemia do Coronavírus. Sem dúvida, a globalização, que favoreceu a comunicação e a circulação entre as pessoas no mundo, propiciou que as epidemias se desencadeassem em pandemias. Nesse sentido, o mundo precisou se isolar socialmente para conter a propagação do vírus, com consequências financeiras devastadores. Com isso, diversos indivíduos perderam seus empregos, aumentando o desespero dos sujeitos ditos “histéricos”.
Torna-se evidente, portanto, que o termo histeria pode ser inadequado para denominar uma sociedade que enfrenta situações difíceis frente à desinformação e ao desamparo financeiro. Portanto, cabe ao Governo Federal a criação de projetos a fim de que a população seja informada sobre a ocorrência de uma epidemia, por meio de parcerias com cientistas que pesquisam sobre o assunto. Essas informações podem ser divulgadas através das redes sociais e de programas televisivos de grande alcance. Além disso, é importante que o Estado crie programas assistenciais para amparar os que foram afetados pela pandemia. Desse modo, as dificuldades podem ser abrandadas e a histeria atenuada.