Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 01/01/2021

Na obra “Ensaio Sobre a Cegueira”, é apresentada uma distopia na qual o caos social se instala frente ao alastramento de uma doença desconhecida. Nesse contexto, o livro se mostra como um ensaio acerca das dificuldades atreladas ao pânico provocado pelas epidemias atuais. Por certo, o que se presenciou em 2020 foi um panorama similar ao apresentado na referida obra. Dessa forma, a reação exagerada da população inicialmente e a subsequente apatia a torna passível de manipulação, o que agrava o quadro e emergência sanitária.

Uma vez que o povo é surpreendido pela disseminação desenfreada de uma enfermidade, inicialmente adota medidas exacerbadas, guiado pelo medo. Porém, ao longo do tempo, o horror cede espaço ao conformismo e se observa um retorno às atividades habituais. Esse fenômeno é exemplificado pela pandemia vivida atualmente: em março, quando o número de casos registrados diariamente não passava de mil em todo o Brasil, a população seguia as recomendações da Organização Mundial de Saúde com esmero. Atualmente, enquanto registra-se cerca de 30000 novos casos todos os dias, o que se observa é a negação da existência da pandemia por grande parte da nação.

Como resultado desse comportamento, tem-se um povo fragilizado e vulnerável, o qual se apresenta mais passível  à manipulação. Assim, situações inaceitáveis como a venda de vacinas falsificadas contra a Covid-19 na 25 de Março, noticiada pela Folha de São Paulo, passaram a ocorrer no mês de dezembro.  Infelizmente, ações eficientes do poder público para mitigar tais condutas não foram observadas. A postura de abandono do Estado frente ao desespero da população aumenta o caos social, abrindo brecha para oportunistas que muitas vezes submetem as pessoas a um perigo ainda maior que os patógenos causadores de epidemias.

Em suma, é necessário que o governo federal abandone a postura negacionista frente à ciência, adotada desde 2018 com a eleição do então presidente Bolsonaro, e nomeie um ministro da saúde com conhecimento técnico para que ele atue no combate à pandemia do coronavírus e demais epidemias brasileira em conjunto com o ministério da educação. Essa ação deve ser posta em prática por meio de campanhas que ensinem as posturas a serem adotadas pelos cidadãos em momentos de emergência sanitária, tal como o uso correto de máscaras no caso do combate ao coronavírus, para que o país seja capaz de sair de possíveis crises futuras com o menor número possível de vidas perdidas. Somente assim, o Brasil sairá da tenebrosa distopia que conserva há diversos anos no que tange à questão de saúde pública.